A pele boa que o etarismo me deu
Como passei a encarar o impacto da idade sobre o corpo, a aparência, o trabalho e as escolhas que faço para continuar ativa

(Crédito: Shutterstock)
No início de 2026, completo 52 anos.
E foi ao longo de 2025 que passei a encarar, de forma mais direta do que nunca, o impacto da idade sobre o corpo, a aparência, o trabalho e as escolhas que faço para continuar ativa, dentro e fora do mercado.
Sou vaidosa desde menina, mas com parcimônia, penso eu. Ainda assim, sei exatamente como este texto pode ser lido por quem não me conhece. Mulher branca, loira, de olhos claros, magra, que faz alguns tratamentos estéticos. “O que ela quer dizer com esse título caça-clique? Como se a pele dela não fosse bem cuidada desde sempre.”
Quem me conhece minimamente sabe que, desde os vinte e poucos anos, não tomo sol no rosto, uso filtro solar mesmo dentro de casa e, quando entro no mar sob o sol a pino do verão, boné e óculos escuros mergulham comigo. Ainda assim, envelhecer chegou. E chegou com perguntas que vão muito além da pele.
Comecei 2025 em um aperto financeiro raro. Reflexo de um 2024 atravessado por atos falhos: parte meus, parte de relações profissionais que já não tolero mais sustentar. Não porque eu não entreguei. Mas porque não aceito ser reduzida ao papel de tarefeira, executando caminhos que sei que não funcionam. Orientei, alertei, não fui ouvida. Não funcionou. Ou ainda porque, pasmem, uma mulher optou pela comunicação violenta em um grupo de trabalho, em vez de uma ligação direta para resolver algo simples.
Aceitei? Não.
Porque, aos 50 anos, alguns valores se tornaram inegociáveis.
Com o caixa comprometido, noites mal dormidas e, ainda assim, o copo sempre meio cheio (eu realmente escolho olhar a vida assim), fui atrás de soluções. Não venho de família rica. Trabalho desde os 15 anos. Empreendo desde 2014. Batalhei o ano inteiro para virar o jogo. Virei. Tive o melhor faturamento da minha trajetória.
No último trimestre de 2025, vivi uma das conversas mais honestas da minha vida. Mais de uma hora ao telefone com minha irmã, dez anos mais velha, já aposentada. Falamos de etarismo, de pintar ou não o cabelo, de seguir com procedimentos estéticos e de como encarar as mudanças que eu via no corpo: na pele, na balança, no sono — ou na falta dele —, na libido e no humor.
Minha irmã foi direta, como sempre: “Continue com os procedimentos. Você ainda precisa vender o seu trabalho”.
Essa frase ficou ecoando. Porque ela escancara uma verdade desconfortável: para muitas mulheres, envelhecer no mercado não é apenas uma questão de competência, mas também de aparência, disposição e presença.
Os meses passaram. As propostas andaram. O dinheiro entrou. O sono voltou.
Até que uma consulta ao nutricionista revelou algo decisivo: 9% de gordura corporal acima do recomendado para mulheres. Muita coisa. O suficiente para explicar a insônia, o mau humor, a queda de energia e outros sinais que eu vinha ignorando.
Foi aí que decidi mudar de forma prática. Apertei os treinos, segui a dieta no detalhe e incluí alguns procedimentos estéticos nesse pacote. O processo não é fácil, mas é possível. E o mais curioso é que tudo melhorou: foco, clareza de raciocínio no trabalho, noites de um sono só (interrompidas apenas pelo xixi da madrugada — bem-vinda aos 50!), perda de peso sem canetinhas ou dietas mirabolantes e, sim, uma melhora evidente na qualidade da minha pele.
Não escrevo este texto para criar ruído, confusão ou parecer alienada. Às vezes até perco a noção, é verdade. Mas o que compartilho aqui é uma experiência concreta de mudança de hábitos. Não apenas para enfrentar o etarismo, mas para garantir qualidade de vida e seguir relevante, produtiva e inteira por mais alguns bons anos, no mercado de trabalho e fora dele.
Se isso passa pela pele, que venha acompanhado de muito filtro – solar. Porque, para muitas mulheres, cuidar de si também é uma forma de continuar existindo onde ainda insistem em nos apagar.