Todo mundo tem voz, mas poucos têm visão
A diferença entre falar alto e dizer algo que realmente importa

(Crédito: Shutterstock)
Nunca foi tão fácil falar com todo mundo, ou com quase todo mundo. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil ser ouvida.
Vivemos uma hiperinflação de vozes. Todo mundo publica, comenta, opina, reage, afinal, a tecnologia democratizou o acesso à palavra, mas não garantiu a construção de pensamento. O resultado é um ambiente em que a presença é abundante, mas com rara profundidade.
A este ponto, acredito que o problema não é excesso de comunicação, e sim escassez de visão.
O barulho se tornou o novo pano de fundo, como uma estratégia. Tudo soa urgente demais, tudo pede atenção e requer engajamento. Mas quase nada deixa rastro. O excesso de estímulo não amplia relevância, ele dilui significado.
E quando o significado se perde, a comunicação vira ruído operacional.
Como meu trabalho me exige isso, tenho avaliado esse cenário profundamente, e há 2 anos tomei a decisão de ler apenas livros físicos, e com uma caneta marca texto ao lado para destacar os pontos importantes para maior aprendizado. Isso tem me ajudado a reter a informação com mais qualidade e eficiência.
Falar alto é fácil, difícil é sustentar um ponto de vista, pois visão exige curadoria, escolher o que não dizer. Produzir conteúdo é preciso, mas isso exige responsabilidade intelectual. Ter consciência de que cada mensagem publicada constrói narrativas, e pode fortalecer ou enfraquecer uma reputação.
Liderar na economia da atenção não é ocupar todos os espaços. É ocupar os espaços certos com algo que mereça atenção e engajamento.
O silêncio vazio também é um problema, mas o barulho vazio é ainda mais perigoso, porque cria a ilusão de movimento enquanto tudo permanece no mesmo lugar.
Talvez o verdadeiro diferencial competitivo hoje não seja quem comunica mais, mas quem consegue transformar comunicação em pensamento público. Quem não apenas responde ao mundo, mas ajuda a interpretá-lo.
Em um ambiente onde todos têm voz, a relevância pertence a quem tem visão.