Opinião WW

Tendências da indústria criativa para 2026

O futuro não será construído apenas por quem reage rápido, mas por quem entende o contexto, valoriza cultura e cria com intenção

Gilvana Viana

CEO e cofundadora da MugShot, Punks S/A e CasaBlack 28 de janeiro de 2026 - 7h57

(Crédito: Unsplash)

(Crédito: Unsplash)

Começar um novo ano sempre me coloca nesse lugar de pausa e observação. É quando olho para os movimentos do mercado, para as conversas que se repetem, para os sinais que ainda são sutis, mas insistem em aparecer. 2026 se apresenta justamente assim: como um convite para pensar o futuro com mais intenção, sensibilidade e estratégia, especialmente para quem atua na indústria criativa. 

A indústria criativa segue como uma das áreas mais dinâmicas da economia global. Segundo dados da Unesco, o setor já responde por cerca de 3% do PIB mundial e emprega mais de 30 milhões de pessoas, com crescimento acelerado. As mudanças são constantes e manter-se atualizado é tão importante quanto dominar as técnicas. 

No Brasil, criatividade, território e diversidade têm se mostrado ativos estratégicos para marcas, instituições e criadores. Com isso, listei 5 tendências da indústria criativa para ficar no radar em 2026. 

1) Conteúdos multissensoriais

Em 2026, experiências criativas tendem a ser cada vez mais híbridas, integrando moda, design, gastronomia, audiovisual, música e performance em narrativas únicas. O público não quer apenas assistir, quer sentir, participar e compartilhar. Um bom exemplo é a ação da Mabel que transformou a tradicional “competição de pavê” de fim de ano em uma disputa criativa nas redes sociais, misturando humor, memória afetiva, comida e cultura digital. A multissensorialidade amplia o engajamento porque ativa diferentes camadas de percepção. 

2) Foco no território

Cidades, ruas, becos e paisagens urbanas deixam de ser apenas cenário e passam a atuar como personagens centrais das narrativas criativas. Em vez de campanhas genéricas, cresce a valorização de histórias localizadas, com sotaque, estética e códigos próprios. A recente ação “Baile é território”, da Kenner, que exalta o funk paulista, mostra como o território e tudo o que ele carrega de identidade cultural, se torna uma potente plataforma de comunicação, conectando marca, comunidade e pertencimento. Veja o clipe aqui. 

3) Realidade virtual e aumentada

A realidade virtual (VR) e a realidade aumentada (AR) deixam de ser tendência experimental e entram de vez no planejamento criativo. Em 2026, essas tecnologias devem ser usadas de forma mais estratégica para criar experiências imersivas em campanhas, eventos, exposições, varejo e educação. O diferencial não estará apenas na tecnologia em si, mas na capacidade de criar narrativas relevantes, acessíveis e conectadas à vida real das pessoas. 

4) Afrofuturismo como metodologia de inovação

O afrofuturismo vai além de uma estética: é um movimento cultural, estético e político que combina ancestralidade africana, tecnologia e ficção especulativa para imaginar futuros onde pessoas negras ocupam posições de protagonismo e centralidade. Este ano, a tendência é que a abordagem passe a ser cada vez mais aplicada ao mercado criativo não apenas como estética, mas como metodologia de inovação. Isso significa usar perspectivas afro futuristas para repensar produtos, serviços, experiências e narrativas culturais que rompam com visões hegemônicas e projetam futuros mais inclusivos e inventivos. O afrofuturismo desafia a indústria a imaginar além dos padrões existentes, incorporando ancestralidade, identidade e tecnologia como eixos que geram significado, pertencimento e novas formas de bem-viver. 

Anotem: o conceito do bem-viver aplicado à população negra está e seguirá em alta. No lugar das narrativas de dor, é hora de criarmos mensagens e conteúdos associados à saúde mental e física, espiritualidade, sociabilidade, afeto, criatividade… A humanização e a plenitude das pessoas negras é urgente. Um exemplo forte dessa visão de mundo, que dialoga diretamente com movimentos culturais, foi o tema “Bem-Viver” presente na Marcha das Mulheres Negras de 2025, em Brasília. Mais do que sobreviver, queremos o bem-viver. 

5) Áudio como identidade de marca

O som deixa de ser coadjuvante e passa a ocupar o centro das estratégias de branding. Identidades sonoras, trilhas autorais e sound design consistente se tornam fundamentais para criar reconhecimento, memória e vínculo emocional. Em um mundo cada vez mais saturado de imagens, o áudio ganha força como linguagem capaz de atravessar plataformas, criar conexão e diferenciar marcas de maneira profunda e duradoura. 

Mais do que prever tendências, 2026 pede presença, escuta e disposição para experimentar. O futuro da indústria criativa não será construído apenas por quem reage rápido, mas por quem entende o contexto, valoriza cultura e cria com intenção. E você, qual tendência enxerga para 2026?