Opinião WW

O novo luxo é compreender o silêncio

Talvez maturidade seja perceber que opinião também é um recurso, e que saber quando silenciar é uma das formas mais sofisticadas de inteligência

Maria Laura Nicotero

CEO da Nico.ag e presidente da plataforma Women To Watch 23 de janeiro de 2026 - 8h01

(Crédito: Shutterstock)

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Houve um tempo em que ter opinião era sinal de inteligência.

Depois, virou sinal de presença.

Hoje, virou quase uma obrigação.

Opinar sobre tudo — política, comportamento, relações, marcas, escolhas alheias — passou a ser confundido com existir. Como se o silêncio fosse ausência. Como se observar fosse omissão.

Mas algo mudou.

As mulheres mais interessantes que conheço não estão falando menos por falta de repertório. Estão falando menos por excesso de discernimento. Elas aprenderam que nem tudo merece resposta, nem toda provocação exige reação, nem todo assunto pede posicionamento público.

Aprender o silêncio

Desde menina, ouvi do meu pai uma orientação simples, dita sem solenidade, mas com convicção: não tenha medo do silêncio.

Ele nunca tratou o silêncio como fraqueza. Ao contrário. Para ele, o silêncio era um espaço onde se compreende antes de reagir. Onde se escolhe antes de responder.

Com o tempo, entendi: o silêncio não é vazio.

Ele organiza o pensamento.

Protege a energia.

Revela o que realmente importa.

Existe um luxo silencioso em escolher onde colocar a própria atenção. Em não transformar cada conversa em arena. Em não viver refém da urgência de comentar tudo, o tempo todo.

Compreender o silêncio é entender que ele também comunica. Que pode ser um gesto de respeito, um limite bem colocado, ou simplesmente a forma mais elegante de permanecer inteira.

Não é indiferença.

É critério.

Talvez maturidade seja isso: perceber que opinião também é um recurso, e que saber quando silenciar é uma das formas mais sofisticadas de inteligência.

Num mundo que recompensa o barulho, compreender o silêncio não é ausência.

É estilo.

É herança.

É escolha.