Games: a nova praça pública
Nova geração vê os jogos como um espaço social permanente, que define comportamentos de comunidade e consumo em 2026

(Crédito: Shutterstock)
Se na sua infância você já passou algumas horas diante de alguma tela, focado em qualquer game eletrônico, certamente ouviu de seus pais algum comentário do tipo: “Você precisa sair para ver pessoas”. Olhando pela porta do quarto, pode parecer mesmo que aquele jovem está isolado, olhando fixamente para uma tela por horas a fio.
Mas isso não é verdade atualmente. Há um bom tempo, jogar não é mais um ato individual. É uma atividade coletiva, que une pessoas. Aliás, se você cresceu, teve filhos e vê um deles diante de um computador com um headset, pode ser tentado a repetir a reclamação que ouviu quando era mais novo. Mas saiba que este jovem provavelmente está passeando em uma praça pública, e ela é apenas parcialmente diferente dos espaços tradicionais de convívio, por assim dizer, físicos.
Jogar não é mais um ato individual, nem mesmo em títulos offline. Todo o ambiente que une a nova geração se tornou um espaço social permanente, em que o produto é apenas uma das atividades possíveis, um pretexto para que amigos se encontrem, criem, conversem, estudem, comprem e se divirtam. A interação social construída neste espaço virtual é rica e impulsiona o desenvolvimento das chamadas soft skills com grande qualidade.
Conexão híbrida
Um levantamento realizado pelo Pew Research Center apoia esta constatação. A pesquisa indica que jogar em grupos, atuando de forma colaborativa em busca de um objetivo em comum, estabelece as bases para aprender a trabalhar coletivamente em prol de um objetivo comum em outras facetas da vida, sobretudo no ambiente profissional e na comunidade.
Dessa forma, os jogos proporcionam experiências de aprendizagem social: 76% dos adolescentes americanos que jogam videogames interagem com outras pessoas de alguma forma, seja online ou presencialmente. Afinal, companheiros de jogo também podem se unir no mesmo cômodo, em encontros gerados a partir da interação virtual. Em 27% dos casos, os jovens estão conectados às pessoas com quem eles jogam de outras formas, geralmente por redes sociais e aplicativos de mensagens.
Tudo isso significa que a troca social vai além do momento da partida, um fenômeno expressivo quando se considera que 82,8% dos brasileiros são gamers com algum nível de comprometimento, como aponta o Trend Report da Pesquisa Game Brasil de 2025.
Para os jogadores mais jovens, estar junto é tão importante quanto jogar. Títulos como Fortnite, Roblox, Minecraft, League of Legends e Valorant moldam identidades, amizades e repertório cultural, que seguem para outros espaços, como Discord, TikTok, Twitch e grupos privados.
Geração nativa
Este é um fenômeno especialmente importante para as gerações Z e Alpha, as primeiras que são nativas do multiplayer social. Para estas pessoas, a nova praça pública, assim como a tradicional, é um local importante de interação e, portanto, um espaço estratégico para as marcas se posicionarem.
As comunidades gamers da atualidade são tão importantes quanto franquias, no sentido de que atuam como grupos nichados com força semelhante a fandoms massivos. São pequenas, porém engajadas, e por isso movem tendências. Foi esta a conclusão compartilhada por dois pesquisadores de Taiwan, em um artigo recentemente publicado na revista Nature, que mapeou comunidades de games multiplayer e constatou que as interações sociais desenvolvidas ali são fundamentais para fortalecer vínculos com as marcas.
Mas como chegar a este ponto de conexão e levar as empresas a participarem ativamente desse diálogo no ano que está para começar? A resposta é simples, mas exige dedicação verdadeira: as marcas precisam estar onde a conversa acontece, não apenas onde o jogo está.
Para chegar às comunidades com uma linguagem aderente, é importante fazer um esforço para conhecer estes ambientes, entender seus interesses e gostos e, acima de tudo, oferecer serviços, produtos e experiências relevantes para estes públicos. Afinal, como toda praça, este é um ambiente de diversidade de experiências e interesses, que oferecem grandes oportunidades de interação e de negócios.
2026 tem tudo para ser movimentado na área de games, com novidades em esports, como a volta do CBLOL, e a chegada de grandes títulos aos consoles, como GTA 6. As conversas dentro dos grupos de amigos ficarão mais intensas, e será bem-sucedida a marca que souber participar da conversa de forma realmente interessante e com algo a acrescentar. Quando isso acontece, fica feliz a empresa que apostou em um nicho com tantas novidades constantes, e também o público, que está na frente de uma tela, mas nem por isso está solitário.