Mentoria faz parte de quem Danielle Sardenberg é

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Mentoria faz parte de quem Danielle Sardenberg é

Superintendente Executiva de Marketing no Santander Brasil pretender ser um exemplo positivo para as pessoas de seu time


21 de agosto de 2023 - 9h37

Danielle Sardenberg, superintendente executiva de marketing no Santander (Crédito: Arthur Nobre)

Curiosa. É assim que Danielle Sardenberg, atual superintendente executiva de marketing no Santander, se define. Apesar de ter vindo de uma família de funcionários de bancos e ter vinte anos de carreira em áreas de marketing de instituições financeiras, a carioca de Niterói, que cursou Publicidade e Propaganda na UFRJ, não se manteve estagnada durante sua trajetória profissional.

Após trabalhar mais de uma década no marketing da Fininvest, e, posteriormente, do Unibanco e do Itaú, Danielle decidiu se aventurar em outro campo: o da tecnologia. Em 2017, foi convidada para atuar na área digital da IBM, chamada à época de IBM Interactive. Como líder de plataformas de marketing, foi a responsável por fazer a conexão entre os técnicos de TI da IBM e as áreas de negócios voltadas para o marketing. “Foi bem desafiador, porque era um mundo completamente diferente para mim, mas muito interessante nesse sentido de aprender outra habilidade, que acho super importante para o profissional de marketing”, revela. Enfrentar desafios e ganhar novas habilidades nunca foram problemas para Danielle, pelo contrário. Na visão da executiva, o profissional de marketing precisa olhar para além dos seus gostos pessoais. “Temos a missão de furar as nossas próprias bolhas para ampliar o nosso repertório”, complementa.

Neste sentido, hoje em dia, como uma das poucas líderes de marketing no sistema financeiro, Danielle se enxerga como um exemplo para as futuras gerações de mulheres, que ainda não possuem representatividade em cargos como o seu em grandes companhias. Para ela, além de garantir que as mulheres cheguem ao topo e exerçam a liderança a seu modo, é preciso incluir os homens nesse movimento consciente. “Temos que incluir os homens, precisamos que eles tenham a consciência dos próprios vieses”, salienta. 

Meio & Mensagem – Desde o início de sua carreira até agora, o que você fez que mais te trouxe satisfação profissional? Qual foi o trabalho da sua vida?
Danielle Sardenberg – Tenho vários trabalhos legais que poderia citar, mas a coisa que mais me traz satisfação profissional são as pessoas que estão comigo. É você poder contribuir com seu time. As pessoas que me ajudaram a crescer e as pessoas que eu ajudei a crescer. Sou muito preocupada em fazer mentoria. Adoro participar desses programas. No Santander, temos vários relacionados a empoderamento feminino e à diversidade. Gosto sempre de participar, tenho vários mentorados, várias pessoas que já passaram pela minha carreira. É o que vou lembrar quando tiver 80 anos. Vou lembrar das pessoas. É ver que você ajudou uma pessoa a crescer e alcançar alguma coisa que era importante para ela. Houve alguns momentos na minha carreira em que pessoas viraram para mim e falaram: “Nossa, você me ajudou muito aqui”. E, às vezes, ajudamos e não temos ideia do impacto, do quanto é importante aquela ajuda que, às vezes, para nós, parece simples. 

M&M – Você sente que ainda falta diversidade nas lideranças das instituições financeiras?
Danielle – Nós, como sociedade, temos que incentivar a diversidade. Não é uma coisa só no Brasil, é uma coisa mundial. Vi um dado outro dia informando que se mantivermos as condições atuais e o ritmo atual, só vamos fechar o gap salarial entre mulheres e homens em 132 anos. Na boa, não é aceitável. Eu, como pessoa, me preocupo com isso e sou super vocal, meio enjoada até, às vezes, para mover todo mundo nessa direção. Na direção primeiro da consciência, porque tem muita gente que não tem isso, que está dentro da sua bolha e não entende. Sim, falta mulher em todos os lugares, em todas as indústrias. A minha obrigação como liderança feminina é pavimentar um caminho para que todas as meninas não precisem levar 132 anos. O mundo precisa de mais mulheres em todos os lugares de liderança, com comportamento feminino, liderando como mulheres, porque já vi, em muitos lugares, a mulher chegar ao cargo de liderança e se comportar igual aos homens. Temos que liderar do nosso jeito e se esse jeito for mais emotivo, tudo bem. Eu, por exemplo, sou uma pessoa super emotiva, se tiver que chorar, eu choro. Tem essa camada também: de nós abrirmos o caminho para garantir a representatividade das demais, garantir que esse lugar seja possível de ser exercido do nosso jeito e garantir que as próximas gerações de meninas sonhem com outras profissões também.

M&M – Você se vê como uma inspiração para outras mulheres?
Danielle – Acredito que sim. A mulher tem sempre um pouco mais de limitação de bater no peito e falar “eu sou um exemplo”. Outro dos nossos problemas, somos mais modestas nesse sentido. Procuro ser, sim, um exemplo positivo para as outras pessoas, por isso gosto tanto de fazer mentoria. É um momento de você se colocar à disposição do outro como uma pessoa que pode ser, sim, inspiradora. Às vezes, inspiramos as pessoas pelas coisas que nem sabemos, mas é por isso que gosto da aula de vez em quando. Tenho que procurar ser, mas é o outro que vai me dizer se sou ou não. Mas, procuro ser e procuro incentivar que as pessoas sejam elas mesmas. 

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