Mulheres com deficiência: uma luta por visibilidade e acessibilidade

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Opinião

Mulheres com deficiência: uma luta por visibilidade e acessibilidade

Todas as mulheres merecem ser ouvidas e representadas, independentemente de suas habilidades ou limitações físicas


12 de abril de 2024 - 6h04

(Crédito: Adobe Stock)

Você lembra das mulheres com deficiência apenas durante o mês de março ou em datas específicas relacionadas a esse tema? E o que acontece durante o restante do ano? Esse debate é levantado por ativistas, destacando a necessidade de incluir essa parte importante da população em todas as conversas sobre igualdade e inclusão.

A primeira vez que essa questão foi abordada em minha mente foi em 2021, enquanto analisava a acessibilidade das redes sociais de uma das maiores marcas do mercado. O site era completamente inacessível para usuários cegos que utilizam leitores de tela, o que impossibilitava até mesmo finalizar uma compra. Isso demonstra como a falta de acessibilidade pode excluir mulheres com deficiência, mesmo quando desejam participar de eventos como o Dia das Mulheres.

Após essa constatação, visitei o site do Instituto da marca em questão e me deparei com uma imagem estática, sem texto alternativo, o que impedia o acesso a informações importantes sobre diversidade e inclusão.

Esses exemplos evidenciam a falta de conscientização sobre a importância da acessibilidade para mulheres com deficiência. A luta por inclusão é invisibilizada há séculos e, embora haja progressos, ainda são necessários passos significativos.

No Brasil, menos de 1% dos sites são acessíveis, o que vai além de recusar clientes com deficiência em lojas de cosméticos. Isso afeta até mesmo canais de denúncia contra violência doméstica, onde milhares de mulheres com deficiência são vítimas, porém ignoradas.

A aprovação recente de projetos que exigem acessibilidade em canais de denúncia é um avanço, porém, ainda há muito a ser feito. Em 2018, o Atlas da Violência mostrou que aproximadamente 22% dos casos de estupro envolvem pessoas com deficiência, sendo 65,4% mulheres.

Campanhas de conscientização e produtos inacessíveis perpetuam a exclusão e a invisibilidade dessas mulheres. É urgente que as marcas invistam em acessibilidade e representatividade em suas campanhas, como exemplos positivos demonstram.

Nas próximas datas dedicadas à celebração das mulheres, é crucial que ocorra um aumento substancial de espaços e eventos inclusivos para mulheres com deficiência. A busca pela visibilidade, acessibilidade e equidade deve ser uma preocupação constante, não se restringindo apenas a ocasiões específicas relacionadas ao tema, mas estendendo-se ao longo de todo o ano.

Afinal, todas as mulheres merecem ser ouvidas e representadas, independentemente de suas habilidades ou limitações físicas.

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