Mulheres enfrentam estagnação na liderança, aponta pesquisa
Estudo Women in the Workplace mostra recuo corporativo na prioridade ao avanço feminino e nas promoções para cargos de gestão
O avanço das mulheres no ambiente corporativo dos Estados Unidos, mercado de influência global, enfrenta sinais de estagnação e perda de prioridade nas empresas. É o que revela o último relatório “Women in the Workplace 2025”, realizado pela McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org.
Segundo a pesquisa, cerca de metade das companhias, 54%, afirmam que o avanço das mulheres foi uma alta prioridade organizacional em 2025, índice que indica queda em relação a anos anteriores da série histórica.
Quando o recorte é feito para mulheres negras, o percentual é ainda menor: aproximadamente 46% das empresas dizem priorizar o avanço profissional desse grupo, evidenciando desigualdades adicionais às políticas corporativas.
Além disso, cerca de 20% das companhias entrevistadas afirmaram não contar com políticas que promovem o avanço das mulheres, reflexo do recuo na agenda corporativa de diversidade, equidade e inclusão. Já 10% dizem ter reduzido ou encerrado programas de apoio, desenvolvimento de carreira e treinamentos de diversidade no último ano.
“Degrau quebrado” e ambição
O levantamento também confirma a persistência do chamado broken rung, o “degrau quebrado” na primeira promoção para cargos de gestão. Para cada 100 homens promovidos a gerente, apenas 93 mulheres recebem a mesma promoção. Entre as profissionais negras, o número cai para 74 para cada 100 homens promovidos.
Pela primeira vez nos 11 anos do estudo, o relatório também identifica um gap de ambição no início da carreira. Entre profissionais em estágio inicial, 80% dos homens afirmam querer ser promovidos ao próximo nível, contra 69% das mulheres. A diferença de 11 pontos percentuais representa a maior disparidade já registrada na série da pesquisa, visto que, nas edições anteriores, as ambições de promoção eram semelhantes.
Já entre as mulheres que estão na metade da carreira, 82% desejam subir mais um degrau na profissão, e o número avança para 84% para as executivas seniores.
Segundo o estudo, essa mudança tem explicação. Quando as mulheres recebem o mesmo apoio de carreira que os homens, a diferença no desejo por avançar tende a diminuir. Entretanto, não é o que tem acontecido. Algumas empresas já reduziram programas benéficos às mulheres, como trabalho remoto, patrocínio formal e iniciativas direcionadas de desenvolvimento de carreira.
O “Women in the Workplace 2025” é baseado em dados organizacionais e entrevistas realizadas ao longo do último ano, para consolidar informações de empresas de grande porte nos Estados Unidos. A pesquisa acompanha, desde 2015, indicadores de representação, promoção, ambição profissional e políticas corporativas de equidade de gênero.
Considerado o maior estudo sobre mulheres no mercado corporativo norte-americano, o levantamento reúne dados de 124 empresas, que somam cerca de 3 milhões de funcionários, e aproximadamente 9.500 profissionais entrevistados.