Remuneração e oportunidades de crescimento causam baixo engajamento entre mulheres

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Remuneração e oportunidades de crescimento causam baixo engajamento entre mulheres

Falta de significado, escassez de oportunidades, desigualdades salariais e ambientes não inclusivos são principais motivos para o desengajamento feminino, diz pesquisa


6 de março de 2024 - 15h40

(Crédito: Adobe Stock)

Estudo recente revela que 6 em cada 10 profissionais brasileiros estão desengajados em seus trabalhos e, em alguns aspectos, as mulheres estão menos engajadas que os homens. A pesquisa “Engaja S/A”, da Flash Benefícios em parceria com a FGV e a Talenses Group, analisou os fatores que geram engajamento entre os colaboradores. Entre os principais achados, o relatório destaca uma diferença de 28% entre os níveis de engajamento da alta liderança e dos funcionários. Enquanto 61% dos executivos estão engajados, no restante da organização este número cai para 33%.  

De acordo com os especialistas consultados, o baixo engajamento dos colaboradores está intrinsecamente relacionado a um baixo desempenho e produtividade, maiores níveis de absentismo e rotatividade e menor rentabilidade para a empresa. Segundo a pesquisa “State of the Global Workplace”, da Gallup, de 2022, estima-se que a falta de engajamento nas empresas leve a perdas de US$ 8,8 trilhões em produtividade, o equivalente a 9% do PIB global.  

Para fins de análise, o estudo da Flash estipulou um modelo de engajamento organizacional com seis dimensões e 31 atributos associados. As dimensões são ambiente de trabalho positivo, trabalho com significado, confiança na liderança, boas práticas de gestão, oportunidades de crescimento e remuneração. Segundo este modelo, as raízes do baixo engajamento no Brasil estão relacionadas a três fatores decisivos: remuneração, oportunidades de crescimento e confiança na liderança.  

Engajamento entre mulheres e homens 

A pesquisa também revela que, apesar de não haver diferença do engajamento médio entre os gêneros, alguns aspectos como ambiente de trabalho positivo, significado no trabalho, remuneração e oportunidades de crescimento geram maior desengajamento entre as mulheres do que entre homens. 

Na dimensão ambiente de trabalho positivo, a pesquisa avaliou o quanto as empresas estão fornecendo condições de trabalho flexíveis, colaborativas, humanas e inclusivas para os colaboradores. Neste aspecto, as mulheres apresentaram um nível de desengajamento de 46%, em comparação a 41% dos homens. Além disso, a falta de reconhecimento é um dos principais fatores que contribuem para o baixo engajamento na dimensão do ambiente de trabalho positivo. 

Outro aspecto que desperta a falta de motivação entre as mulheres é o significado do trabalho, onde 42% delas estão ativamente desengajadas. Em comparação, a porcentagem de homens ativamente desengajados é de apenas 5%. Nesta dimensão, o estudo analisa a capacidade das organizações de oferecer autonomia para os colaboradores, bem como selecionar as pessoas corretas para os lugares certos, contribuindo para gerar um sentimento de propósito e adequação nos profissionais.  

Um ponto de destaque é a falta de confiança na liderança, que gera desengajamento em 51% tanto entre homens quanto entre mulheres. “As empresas ainda falham em ser transparentes. Fora isso, ainda existem muitas companhias extremamente hierarquizadas. Longe dos círculos de poder e sem visibilidade dos acontecimentos, as pessoas passam a desacreditar de que alguém irá zelar por seus interesses”, avalia Luiz Valente, CEO do Talenses Group. 

Já em oportunidades de crescimento, o relatório buscou entender o quanto as companhias criam condições para que os colaboradores avancem em suas carreiras. Esta foi a segunda dimensão mais mal avaliada das seis. Entre as mulheres, 21% estão ativamente desengajadas e 33% desengajadas, totalizando 54% de profissionais femininas descontentes com as oportunidades de crescimento, principalmente no quesito de mobilidade interna. 

“As empresas ainda não contam com práticas de gestão que conseguem avaliar as pessoas de forma eficiente. Aliado a isso, não estão oferecendo oportunidades para desenvolver os colaboradores. Como resultado, perdem talentos e tornam seu capital humano menos competitivo”, avalia Paul Ferreira, professor da FGV-EAESP. 

Do mesmo modo, a remuneração também está entre as dimensões que mais causa baixo engajamento entre as mulheres: 20% estão ativamente desengajadas e 39% desengajadas, totalizando 59%. Tais números caem em comparação aos homens: 32% estão desengajados e 16% ativamente desengajados, 48% ao total. 

A pesquisa “Engaja S/A: um retrato do engajamento de funcionários pelo Brasil” pode ser acessada na íntegra no site da Flash Benefícios. 

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