Talvez não seja sobre publicidade
Vou a Cannes tentando olhar além do brilho para entender qual futuro estamos ajudando a construir
Fiquei matutando.
Esta semana estive pensando em como ir a Cannes com um filtro, uma lente “ocular” que me permita enxergar sob um viés diferente. Quase uma proteção, um airbag, para reduzir um pouco o impacto da quantidade absurda de conteúdos, papos, insights, e encontros.
Muito bacana a campanha premiada, a estratégia, a ideia genial, o cliente ousado… Mas me pego pensando muito sobre a nossa indústria, sobre nossas responsabilidades como parte importante nesse sistema.
E sobre o legado além do resultado.
O incentivo ao consumo, do qual somos parte, já sabemos que é danoso ao planeta, que coloca as pessoas menos favorecidas em patamares “inferiores”. Nem preciso me alongar, basta entrar no Instagram…
Eu preciso ser sincero, nunca recusei um projeto. Mesmo sabendo que o produto não era tão legal assim, ou que fazia mal à saúde. Sim, fiz muitos e muitos filmes de cigarros e bebidas. Joguem pedras, eu mereço.
Mas, então, somos parte integrante do sistema que estimula o consumo sem limites. Já sabemos que isso não vai dar certo, ou melhor, já deu errado.
Nessa caminhada encontro alguns poucos anunciantes com a coragem de estimular o consumo consciente dos seus produtos.
Reduzir a velocidade, talvez seja isso. Purismos à parte.
Mas essa semana em Cannes quero olhar com essa lente.
Quem está atento a isso? Entre agências, criativos, anunciantes.
Talvez não seja sobre publicidade.