“YOUR LEGACY IS EVERYONE YOU TOUCH”
Fala de Oprah em Cannes propõe uma reflexão sobre humanidade, legado e o futuro da indústria criativa
Ontem assisti a um seminário com a Oprah Winfrey, conduzido por Phil Thomas, Chairman do Cannes Lions. Confesso que não conheço profundamente sua trajetória nem todas as suas conquistas. Claro que sempre soube da dimensão e da importância da sua carreira, mas nunca tinha parado para conhecê-la de fato. Ainda assim, pouco mais de 30 minutos foram suficientes para perceber por que ela se tornou quem é.
Duas coisas que ela disse me marcaram especialmente e me deixaram feliz por ouvi-las, porque acredito que nossa indústria precisa mais disso.
A primeira foi: “Be the most human you can be, not the best creator.”
Todo mundo sabe que nossa indústria não é exatamente uma referência quando o assunto é qualidade de vida, respeito aos colaboradores, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ou carga de trabalho. Mas falamos pouco sobre isso. Nossa excelência criativa é inquestionável, e os resultados que vemos ano após ano comprovam isso. O que raramente discutimos é: como podemos nos tornar uma indústria melhor? Como criar um ambiente mais saudável, sustentável e atraente para que os talentos queiram permanecer, ou até mesmo voltar para as agências?
Para mim, a resposta tem muito a ver com o que Oprah disse: seja mais humano. E isso vale para todos os níveis, áreas e cargos. Em um momento em que a tecnologia evolui mais rápido do que nunca, talvez aquilo de que mais precisamos continue sendo o mais básico: educação, respeito e empatia.
O segundo momento que me marcou foi quando Phil Thomas perguntou a ela sobre o legado que deixa, considerando a dimensão e o alcance que tem na vida de tantas pessoas ao redor do mundo. A resposta foi simples: “Your legacy is everyone you touch.”
E talvez seja justamente por isso que o legado dela seja tão grande. Quando você se preocupa genuinamente em tratar bem todas as pessoas que cruzam o seu caminho, está construindo o legado que mais importa. No fim das contas, o impacto que deixamos nos outros é, provavelmente, a única coisa que realmente permanece.