Use seu julgamento para construir uma vida com propósito
Nós estamos construindo propósitos ou apenas colecionando aplausos?
Vivemos um momento em que a autenticidade se tornou um artefato de luxo. Nossos objetivos já não são guiados pela pergunta “o que eu quero com isso?”, mas sim por “como vou me destacar a partir disso?”.
A busca pelo aplauso se tornou comum. O legado, por outro lado, parece cada vez mais esquecido. É raro encontrar alguém disposto a trilhar um caminho que vá além do próprio ego.
Em 1968, o artista plástico Andy Warhol afirmou que, no futuro, todos seriam famosos por 15 minutos. Décadas depois, no palco do Lumière Theatre, em Cannes, Oprah Winfrey trouxe uma reflexão semelhante a essa: “Durante muito tempo, resisti à ideia de me tornar uma marca, porque associava isso à perda da autenticidade.”
Em um mundo onde todos disputam atenção, como se tornar único? Para Oprah, a resposta começa com uma pergunta que ela faz a si mesma antes de iniciar qualquer projeto: “Qual é a minha intenção?”
Mais uma vez, tive a oportunidade de estar próxima e ouvir os conselhos de alguém que dedicou sua vida a representar o público. Da apresentação de seu programa de televisão à atuação em A Cor Púrpura, da escola fundada na África do Sul para meninas ao palco do Cannes Lions, onde recebeu o prêmio LionHeart por sua contribuição filantrópica, Oprah construiu uma trajetória baseada em propósito.
Sua mensagem foi simples, mas uma tapa poderoso. A partir da própria história, ela mostrou que viver em busca do que é verdadeiro é uma vida que vale a pena ser vivida.
“Não importa quantas visualizações, assinaturas ou vendas você tenha. Essas coisas vão crescer e diminuir ao longo da vida. Haverá dias bons e ruins, sucessos e fracassos. O mais importante é não perder de vista o motivo pelo qual você veio.”
Os ensinamentos compartilhados por Oprah têm origem em uma das obras que mais influenciaram sua trajetória: The Seat of the Soul, de Gary Zukav, publicado no Brasil como A Morada da Alma. O livro propõe uma reflexão sobre a capacidade de enxergar além dos cinco sentidos e compreender o verdadeiro significado de viver com propósito.
A partir dessa perspectiva, surge um questionamento que pode ser aplicado tanto à vida profissional quanto à pessoal: o que eu quero extrair dessa experiência?
É uma pergunta simples, mas que se torna desafiadora quando a transformamos em um exercício diário. Legado não se constrói do zero. Ele precisa de raízes, consistência e missão.
O que podemos aprender com Oprah é que comunicar não significa apenas alcançar pessoas; significa fazer isso com verdade. As ferramentas mudam, a tecnologia avança, as plataformas se transformam, mas nada substitui a emoção construída a partir da experiência humana. No fim, talvez o maior ensinamento seja justamente este: “Meu legado é cada vida que eu toco. É cada vida que você toca.”
E para nós, comunicadores, fica uma reflexão: estamos construindo propósitos ou apenas colecionando aplausos?