Cannes

O festival da comprovação

Edição de 2026 intensifica a exigência por evidências e resultados na avaliação dos cases inscritos

Gustavo Victorino

Chief Creative Officer da Talent 24 de junho de 2026 - 11h21

Depois de tudo o que aconteceu no ano passado, o evento endureceu seus processos de validação, aumentando significativamente o rigor sobre resultados, dados e evidências apresentadas pelos cases. O objetivo é preservar a credibilidade do festival. Mas a mudança já produziu seus primeiros efeitos.
As inscrições caíram globalmente e, no Brasil, a redução foi ainda mais perceptível. Vieram menos inscrições, menos shortlists e, até aqui, conversões mais baixas do que o mercado brasileiro está acostumado a registrar. A sensação compartilhada por muitos profissionais é que o Brasil passou a ser observado sob uma lente especialmente rigorosa.
A questão é entender para onde isso leva o festival.
Há alguns anos, Cannes deixou de ser apenas um festival de propaganda para se tornar um festival de marketing. A criatividade continua sendo essencial, mas eficácia, impacto e resultados ocupam um espaço cada vez maior na avaliação dos trabalhos. A dúvida é se estamos diante de um ajuste necessário ou do início de uma mudança mais profunda no equilíbrio entre criatividade e comprovação.
Ao mesmo tempo, outra tendência ficou evidente nesta edição: a ascensão definitiva da economia dos criadores.
Creators, influenciadores e comunidades estiveram no centro de inúmeras discussões. Um tema recorrente foi a diferença entre alcance e impacto. Alcançar milhões de pessoas não significa necessariamente influenciá-las. Impacto, relevância e conexão cultural passaram a valer mais do que números absolutos de audiência.
Isso ajuda a explicar para onde está indo uma parcela crescente dos investimentos dos anunciantes.