Gana chega ao mercado com equipe 100% preta

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Gana chega ao mercado com equipe 100% preta

Criada por redator Felipe Silva, agência pretende desenvolver projetos e campanhas sob novas perspectivas e referências

Renato Rogenski
15 de março de 2021 - 12h38

Felipe Silva: “A criatividade preta e periférica cria hits todos os dias, mas não fazia isso para marcas porque nunca teve espaço nas agências” (Crédito: Roger Monteiro)

O publicitário Felipe Silva lança a Gana, agência que tem como premissa ter 100% da equipe preta. O objetivo, segundo o profissional, que até fevereiro atuava como redator na VMLY&R, é materializar todo o potencial criativo dos profissionais negros para projetos de comunicação. Ele é também fundador do projeto Escola Rua, focado em capacitar estudantes publicitários de baixa renda.

O embrião de sua nova empresa é um coletivo criado em 2019. Agora, com a Gana, o objetivo é aglutinar visões, vivências e referências habitualmente não contempladas em agências, quase todas formadas por equipes majoritariamente de pessoas brancas. Neste caminho, a expectava é a de criar soluções mais conectadas com a realidade dos consumidores, em um País onde mais da metade da população é preta e periférica.

Felipe ressalta, no entanto, que a Gana não é uma agência especializada apenas em narrativas ligadas à causa racial. “Não nascemos apenas para criar projetos engajados. A criatividade preta e periférica cria hits todos os dias, mas não fazia isso para marcas porque nunca teve espaço nas agências”, pontua.

Com sede em São Paulo, a Gana nasce com oito funcionários fixos e outros 30 colaboradores multidisciplinares espalhados pelo Brasil e que são plugados de acordo com cada projeto, nas áreas de publicidade, conteúdo, design, filmes e produção cultural. Além disso, a empresa tem um conselho executivo formado por profissionais sêniores, com anos de experiência em agências de publicidade e negócios de outros segmentos.

Antes de seu lançamento oficial, a Gana já coleciona alguns projetos em seu portfólio. Entre eles, o rebranding do veículo Ponte Jornalismo e a campanha de lançamento do canal Trace Brazuca, da Trace Brasil, que usou, pela primeira vez, a música Negro Drama (Racionais Mc’s) em uma campanha publicitária, algo que, segundo Felipe, se[1]ria quase inviável conseguir, não fosse a proposta da agência.

Sobre modelo de trabalho, a Gana pretende atuar com a criação de projetos mais moduláveis, utilizar metodologias ágeis e de cocriação para entregar projetos com contexto sociocultural, além de montar squads especializados para atender cada cliente de acordo com suas de[1]mandas e objetivos do negócio.

Apesar de entender a importância do investimento dos grandes grupos na questão da diversidade nos últimos anos, Felipe comenta que prefere apostar em um caminho independente. “Antes mesmo da Gana ser lançada oficialmente, a agência já foi abordada por um grupo de comunicação que queria colocar a gente lá dentro”, conta. O publicitário também diz que não estaria montando uma agência 100% preta se todos os profissionais negros conseguissem acessar as agências de propaganda, principalmente as áreas de criação.

*Crédito da imagem no topo: Eugenesergeev/iStock

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