Academias levam rotina de treinos para residências

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Academias levam rotina de treinos para residências

Com o decreto de fechamento, para contenção da disseminação do vírus, redes de academias e educadores físicos apostam em novas estratégias para seus alunos

Amanda Schnaider
31 de março de 2020 - 6h00

(Crédito: reprodução)

Para conter a propagação do novo coronavírus, governantes de diversos estados brasileiros decretaram o fechamento de estabelecimentos comerciais e academias de ginástica, medida preventiva indicada pelas autoridades sanitárias mundiais. Com isso, algumas redes de academias resolveram adaptar suas atividades durante este período em que todos devem ficar em casa.

No dia 19 de março, a Smart Fit anunciou que todas suas unidades na América Latina estavam com atividades suspensas por, pelo menos, 15 dias. Porém, a rede, pertencente ao Grupo Bio Ritmo, está utilizando este momento para acelerar seu projeto de treino online, que já estava sendo desenvolvido dentro da empresa havia algum tempo. “Após poucos dias do fechamento das nossas unidades, disponibilizamos um site totalmente gratuito com diversos tipos de aulas para que nossos clientes e não-clientes não ficassem sem se exercitar”, afirma Edgard Corona, fundador e presidente do Grupo Bio Ritmo. Segundo ele, logo na primeira semana os treinos tiveram mais de dois milhões de visualizações.

Além dos treinos gravados, a rede também está apostando em uma programação diária de lives no Instagram e YouTube, com treinos ao vivo e bate-papos com especialistas. No mesmo dia, outra rede de academias low cost que suspendeu as atividades de suas 70 unidades distribuídas pelo Brasil foi a Selfit. Entretanto, isto não impediu a companhia de continuar oferecendo seus serviços para as pessoas. Assim como a Smart Fit, a rede conta com aulas diárias online em todos seus canais digitais, com dicas de exercícios para serem realizados em casa, além de lives, também diárias, no Instagram. “As ferramentas digitais da rede são gratuitas e podem ser utilizadas por toda a população, não apenas por alunos”, comenta Leonardo Pereira, CEO da Selfit.

Outra plataforma que as redes de academias estão utilizando muito neste momento são os aplicativos de treinos. A Selfit conta com dois: o app Self Sem Culpa para orientação nutricional e o app Selfit específico para treinos. Mas não são somente as academias low cost que estão apostando ainda mais nestas ferramentas neste momento. A rede premium de academias, Bodytech, que também mantém suas unidades fechadas conforme orientação das autoridades locais, disponibilizou seu aplicativo BTFIT gratuitamente para todas as pessoas, por tempo indeterminado.

Segundo a companhia, logo após o início da disponibilidade gratuita do aplicativo foram registrados dez mil downloads simultaneamente e, nos primeiros dias, o BTFIT registou 37 mil novos downloads, número dez vezes maior do que a média. “Temos tido ampla adesão, tanto dos nossos clientes, quanto de novos usuários. A ideia é que qualquer pessoa que queira treinar, em casa ou no parque, possa fazê-lo”, comenta Eduardo Netto, diretor técnico da Rede Bodytech.

Além das academias, profissionais do setor também estão mudando suas rotinas neste momento de pandemia do novo coronavírus. A educadora física, personal trainer e influenciadora digital, Cau Saad, dona do Instituto Cau Saad que está fechado deste o dia 17 de março, migrou suas aulas para o Cau Saad Express, treinos online e em tempo real via FaceTime, que mantém desde o ano passado. A personal de atrizes como Fabiana Karla e Carolina Ferraz, comenta que a procura por este tipo de treino aumentou bastante. “Isso está ajudando nossos alunos a manterem o corpo e, também, a mente em movimento em tempos de isolamento social. Não só os alunos que já estavam conosco, mas conseguimos estender para quem nunca tinha feito, tanto quem mora perto ou em outras cidades”, reforça. Cau ainda utiliza o Instagram para compartilhar as lives com seus seguidores.

https://www.instagram.com/p/B-Wx3j6Jmpr/

Segundo a educadora física, existem perigos de realizar atividades físicas em casa sem acompanhamento de um profissional, e por isso alerta que é preciso ter consciência corporal e maturidade de treino. “É importante seguir passo a passo as instruções dadas para cada exercício e não aumentar de uma vez sua dificuldade”, pondera. Para uma realização mais segura, ela diz que o aluno deve primeiro organizar seu local de treino, respeitar seu limite e consultar um profissional da área. “Não invente treinos da sua cabeça, somos preparados para criar uma periodização para cada um”, alerta.

Impacto nos negócios

Com o fechamento das unidades por tempo indeterminado, consequentemente, as redes de academias estão congelando as mensalidades de seus clientes, e com isso, a crise bate na porta. Para Leonardo Pereira, CEO da Selfit, ainda é cedo para mensurar qualquer efeito financeiro, pois os números e informações relativos à pandemia têm mudado diariamente, o que dificulta as projeções e análises sobre determinados setores econômicos, mas afirma: “O momento é extremamente desafiador e pede por atitudes firmes, transparentes e, acima de tudo, de responsabilidade ao próximo”.

O fundador e presidente do Grupo Bio Ritmo e o diretor técnico da Rede Bodytech comentam que estão esperando um posicionamento das autoridades e lideranças para saber quais serão as próximas atitudes a serem tomadas. “Precisamos acima de tudo de prazos e algum tipo de previsibilidade de quando e como retomaremos as nossas atividades econômicas”, finalizou Eduardo Netto, da rede Bodytech.

**Crédito da imagem no topo: Rost 9D/istock

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