“É com informação que vamos superar”, diz CEO da Azul

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“É com informação que vamos superar”, diz CEO da Azul

John Rodgerson reforça a importância da comunicação na retomada de negócios das companhias aéreas e comenta aprendizados de um dos setores mais atingidos pela crise

Luiz Gustavo Pacete
9 de junho de 2020 - 6h00

 

John Rodgerson: “A recuperação será gradual, mas ela vai acontecer. As pessoas precisam se deslocar, se conectar, fechar negócios, visitar parentes” (Crédito: Divulgação)

Se alguns setores se tornaram ainda mais essenciais durante a pandemia. Outros sentiram o impacto direto da ausência de demanda. É o caso do aéreo. Player relevante deste segmento no Brasil, a Azul, que teve receita de mais de R$ 11 bilhões no passado, chegou a ter 130 dos 150 aviões de sua frota no chão durante a pandemia. Neste contexto, John Rodgerson, CEO da Azul, vem expondo, desde o início da pandemia, que a situação é complexa.

Ao Meio & Mensagem, ele reforça, no entanto, o papel da comunicação e da informação na retomada gradual da demanda e destaca como esse momento deve ser levado também para a comunicação e marca. “O momento pede que sejamos ainda mais próximos de nossos clientes e tripulantes, e essa comunicação é voltada para todos eles”, diz John, se referindo à campanha “Os sonhos não param de voar”, lançada em abril.

Meio & Mensagem – Quais os desafios e aprendizados deste momento não só para o setor aéreo, mas também para o contexto da Azul?
John Rodgerson – Em toda crise, as pessoas, as empresas tiram lições e aprendizados. E nosso setor foi um dos mais atingidos por essa pandemia. A crise mostrou que, mesmo distantes, nós estamos nos mantendo unidos, como um time, que trabalha em busca do mesmo objetivo.

M&M – O quanto que a inovação, transformação digital e outras dinâmicas que já vinham sendo adotadas pela companhia ajudam em um momento como este?
Rodgerson – Esse foi outro grande aprendizado. Do dia pra noite, todas as nossas áreas administrativas passaram a trabalhar em casa. Isso exigiu um grande esforço da nossa área de TI, por exemplo, que criou suportes para auxiliar nossos tripulantes a acessar todos os sistemas de que eles necessitam para trabalhar. Conseguimos também colocar nosso time do call-center e do CCO (Centro de Operações) em home office sem que eles deixassem de dar suporte à operação. A tecnologia foi fundamental nesse processo pioneiro pra nós. Também com ela temos disponibilizado tablets em alguns aeroportos, para agilizar os processos de check-in, e, ao mesmo tempo, temos incentivado nossos clientes a fazer o check-in pelo app ou utilizar o aplicativo para tirar dúvidas sobre sua reserva.

M&M – Como você enxerga o setor aéreo, o turismo e as viagens corporativas passado esse período? Que tipos de impactos você enxerga nesses respectivos segmentos?
Rodgerson – Eu acho que ninguém será o mesmo depois da pandemia. Acredito que a recuperação será gradual, mas ela vai acontecer. As pessoas precisam se deslocar, se conectar, fechar negócios, visitar parentes, viajar para descansar. O que eu acredito é que todos estarão mais atentos aos cuidados com a limpeza e a higiene.

M&M – Como manter a imagem de marca neste momento e de que maneira continuar se relacionando com o consumidor?
Rodgerson – Neste momento, o consumidor está muito atento aos desdobramentos da propagação do coronavírus e como as marcas estão se posicionando diante da pandemia. Estamos ajudando no transporte de equipamentos de proteção e de cargas importantes, como a de medicamentos e de equipamentos para montagem de hospitais de campanha. Todos estão concentrados em ajudar o país agora e nós como uma empresa de pessoas estamos empenhados e colaborar com as comunidades.

M&M- Também neste contexto, qual o papel do marketing e da comunicação?
Rodgerson – Desde que a crise se agravou, nós suspendemos todas as nossas ações de marketing e comunicação, porque o mercado retraiu e o foco não era viajar e sim cuidar da saúde das pessoas. O papel da nossa área de marketing e comunicação tem sido, portanto, de ajudar a transmitir informações importantes e verdadeiras sobre o momento e sobre o que a Azul tem feito para colaborar com a comunidade e nossos tripulantes, porque são eles que são o pilar da nossa marca.

M&M – Inclusive, gostaria de que você comentasse a campanha “Os sonhos não param de voar”, a importância desse tom na comunicação
Rodgerson – O momento pede que sejamos ainda mais próximos de nossos clientes e tripulantes, e essa comunicação é voltada para todos eles. O filme da campanha compara o momento que vivemos com uma conexão, em todos os sentidos – na aviação, é uma pausa durante a viagem, e para as pessoas, é a proximidade mesmo à distância. Mas ele também traz um olhar para o futuro, é importante lembrarmos que este momento é só uma parte do caminho, e que todos decolaremos juntos em breve.

M&M – Por fim, qual o papel da liderança em um contexto como este e de que maneira você acha que a companhia sairá desse período?
Rodgerson – Acredito que o papel do líder é estar a serviço das pessoas, tirando dúvidas e deixando claro os próximos passos. É preciso ter uma comunicação aberta e que seja por uma via de mão dupla. Também temos enviado comunicações a nossos clientes atualizando a situação da empresa, os voos que temos operado e os cuidados que estamos tendo. Acho que é por aí que vamos sair desse período

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