Fan tokens: fonte de receita e relacionamento para clubes

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Fan tokens: fonte de receita e relacionamento para clubes

Diretor comercial do Flamengo afirma que faturamento de fan tokens supera valores de patrocínios master

Thaís Monteiro
21 de fevereiro de 2022 - 12h26

Os fan tokens são a nova bola (virtual) da vez no universo dos esportes. Atlético Mineiro, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo e Vasco são exemplos de times que ingressaram na tendência dos ativos digitais. A partir deles, os clubes criam um novo canal de relacionamento, engajamento e interação com o torcedor e uma fonte de receita que, segundo Gustavo Oliveira, vice presidente de comunicação e marketing do Flamengo, pode superar o valor de um patrocínio máster.

 

Flamengo vendeu um milhão de fan tokens em 12 minutos (Crédito: Divulgação/Facebook)

O fan token é um ativo digital fungível de utilidade, ou seja, que dá acesso a bens e serviços. No caso dos clubes, ele representa uma porta de entrada para o comprador fazer parte de decisões do clube, com poder de voto, participação em negociação dos atletas, ter descontos em produtos oficiais, ingressos, acesso a conteúdos exclusivos e outras utilidades.

Atualmente, os fan tokens são emitidos pela plataforma Sócios.com, responsável por tokens de times de fora, como Barcelona e Paris Saint-Germain, de e-Sports, UFC e Fórmula 1. Ele é gerado a partir de uma rede de blockchain. Também foi ela a responsável pelo fan token do Flamengo, o Mengo. Foram vendidos um milhão de ativos em 12 minutos, um recorde mundial.

Na estreia, os tokens tem um custo de média de US$ 2. O clube tem direito a 50% do valor. O detentor do token pode revendê-lo a outros interessados. O preço dele pode modificar ao longo do tempo e depende de variáveis do mercado de bitcoins, mas a cada transação entre usuários, o clube tem direito a 0,25% do valor.

Segundo Claudio Olímpio, CEO e cofundador da Dax, startup que planeja experiência, tokeniza ativos e cria marketplaces exclusivos de assets digitais, conforme a quantidade de tokens, o torcedor terá maior ou menor influência em decisões dos clubes e os departamentos de marketing e inovação dos clubes são responsáveis por criar as experiências para os detentores dos tokens, o que também os ajuda a valorizá-los.

Os fan tokens começaram a ganhar espaço no esporte, mais especificamente em clubes europeus. Ainda conforme Olímpio, o fan token teve sua maior valorização no futebol quando Leonel Messi assinou contrato com o Paris Saint-German. Na ocasião, o time comunicou a imprensa que o jogador iria receber parte do pagamento em tokens, fazendo o valor inicial de mercado triplicar.

De acordo com Bruna Botelho, CEO e fundadora da fintech StadiumGO!, os fan tokens entraram no mercado com o proposito de trazer mais engajamento do torcedor junto aos clubes e isso chama a atenção do público por ter mais acesso dentro da instituição. “Por se tratar de um criptoativo, criou-se uma expectativa de lucro com uma possível valorização do token devido a opção de trade destes ativos por seus detentores. Mas uma grande parcela de especialistas do mercado financeiro e de criptoativos apontam o fan token mais como uma ferramenta de engajamento do que de investimento.

No caso do Flamengo, há três pontos principais que determinam o valor estratégico do ativo: receita, branding e engajamento digital. “Os contratos que estamos vendo serem firmados são de valores altos e, em alguns casos, próximos aos valores de patrocínios masters arrecadados pelos clubes. O segundo diz respeito a um lado de internacionalização e conhecimento de marca. No caso do Flamengo, isto é muito importante, já que faz parte de nossa estratégia acelerar ainda mais o grau de reconhecimento da marca Flamengo fora do País. A parceria que fizemos com a Sócios,com faz com que o nome Flamengo esteja junto com Juventos, PSG, Barcelona, times da NBA, NFL e mais de 120 grandes instituições esportiva de todo mundo. Por fim, pela natureza digital do produto, ele nos ajuda a converter e engajar nossos fãs em nossas redes”, detalha Oliveira.

Apesar de ser uma iniciativa dos times, o executivo do clube afirma que as marcas podem participar das experiências criadas customizadas para os detentores dos fan tokens. “É um produto muito interessante para ações com outras empresas. Ainda não temos nenhum um case em andamento no Flamengo mas vemos muitas oportunidades do nosso fan token ser utilizado para ofertar benefícios especiais aos nossos torcedores junto outros parceiros, por exemplo: um frete grátis no Mercado Livre, uma taxa zero no Nação BRB Fla, um brinde especial na Havan ou na ABC da Construção”, exemplifica.

Os próximos passos do Flamengo nessa estratégia é explicar o que é o fan token e suas possibilidades para os torcedores pelas redes sociais e outras formas de comunicação. O time também quer criar ações em conjunto com parceiros do Sócios.com pelo mundo, como os times internacionais e ligas de diferentes esportes, de acordo com sua estratégia de internacionalização. “Ou seja, fora a receita mais direta e imediata, temos muitas oportunidades para serem trabalhadas neste e nos próximos anos”, diz.

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