Separado, integrado e adiado: a saga do plano Olímpico da Globo

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Separado, integrado e adiado: a saga do plano Olímpico da Globo

Com Jogos adiados para 2021, plano comercial, que valia mais de R$ 580 milhões, será renegociado individualmente com os parceiros

Bárbara Sacchitiello
25 de março de 2020 - 8h08

Ainda sem nova data definida, Comitê Olímpico adiou os Jogos de Tóquio para 2021 (Crédito: Reprodução)

Com o anúncio oficial do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para o próximo ano, a Globo, detentora oficial dos direitos de transmissão da competição esportiva, terá o desafio de reajustar tanto o conteúdo como o faturamento para suprir a ausência do evento, que representava um dos mais importantes produtos comerciais da grade em 2020.

Considerando apenas os valores do plano comercial, que já circulava entre as agências de publicidade desde o fim de 2019, a emissora poderia arrecadar mais de R$ 580 milhões com a transmissão Olímpica. O valor contempla as seis cotas de patrocínio, cujo preço de tabela era de R$ 96,9 milhões (cada) e a cobertura envolvia tanto a exibição das provas e competições na Globo (TV aberta), como no canal pago SporTV e também no portal e demais plataformas do Globoesporte.com.

Horas depois de o Comitê Olímpico Internacional (COI), em conjunto com o governo do Japão, ter anunciado o adiamento do evento para 2021 por conta da crise causada pela pandemia da Covid-19, a Globo, questionada pela reportagem de Meio & Mensagem, enviou uma nota em que informa não ter sido consultada oficialmente a respeito da decisão, mas que compreende que saúde e segurança são as prioridades gerais em um momento como esse. A emissora também comenta sobre a negociação com os patrocinadores. Veja a íntegra:

“Tivemos conhecimento do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio pelo anúncio oficial, não fomos consultados previamente sobre o assunto.

Entendemos que, no momento, as prioridades são a saúde e a segurança de todos, e por isso respeitamos as decisões dos organizadores dos eventos.

O que podemos afirmar é que, diante do atual cenário e da relação histórica de respeito que temos com os nossos patrocinadores, os planos e projetos relacionados à cobertura dos Jogos Olímpicos serão discutidos individualmente com cada um deles após a pandemia”.

Mudanças de planos
De acordo com apurações feitas pela reportagem de Meio & Mensagem, a instabilidade já trazida pelo temor global em relação ao vírus, que desde o início do ano começou a se espalhar na China até, posteriormente, atingir outros continentes, já vinha atrapalhando as negociações comerciais da Olimpíada. Em casos de grandes eventos esportivos, como Jogos Olímpicos e Copa do Mundo, os acordos de patrocínio televisivo têm de seguir um protocolo: inicialmente, têm prioridade na aquisição das cotas os patrocinadores globais do evento. No caso de Tóquio 2020 (evento que manterá o nome mesmo adiado para 2021), os parceiros globais são Coca-Cola, Airbnb, Alibaba Group, Atos, Bridgestone, Dow, GE, Intel, Omega, Panasonic, P&G, Samsung, Toyota e Visa. Após as respostas dessas empresas, as emissoras detentoras dos direitos de transmissão ficam livres para negociar as cotas restantes com os patrocinadores locais.

Essa regra do COI, associada às incertezas globais que começavam a crescer pelo temor à proliferação da doença, fizeram com que as negociações olímpicas da Globo caminhassem em um ritmo mais lento, de acordo com apurações feitas pela reportagem junto ao mercado. Oficialmente, a emissora não comenta sobre negociações comerciais em andamento. Em fevereiro, a Globo chegou a exibir uma chamada a respeito da Olímpiada, na qual ressaltava a ampla cobertura que faria em seus canais e o espaço que os Jogos ocupariam na grade.

A própria construção do plano comercial da Olimpíada na Globo passou por várias mudanças. Inicialmente, a proposta era fazer dois planos independentes — um para o SporTV e outro para o canal aberto — como sempre aconteceu em casos de grandes eventos internacionais.

Em junho de 2019, a Globosat apresentou ao mercado um plano comercial exclusivo para o canal SporTV e suas respectivas plataformas digitais, que oferecia seis cotas, a preço de tabela de R$ 114 milhões (cada), e a promessa de uma cobertura de mais de 1.300 horas de conteúdo esportivo.

A estratégia mudou nos meses seguintes, quando o grupo acelerou a integração de suas empresas, de acordo com o projeto Uma Só Globo, optando por fazer um plano comercial único e multiplataforma, que contemplasse tanto o canal aberto, como o SporTV e as plataformas digitais. Assim, o pacote anterior (do SporTV) deixou de ser comercializado e foi relançado o novo plano comercial integrado, que era o que, atualmente, estava em negociação.

A emissora ainda não informou como o adiamento dos Jogos Olímpicos deve impactar as grades de programação e planejamento das equipes de jornalismo e esportes. Mudanças, no entanto, têm sido uma nova realidade na rotina do grupo — assim como nos demais veículos — desde que a Organização Mundial de Saúde classificou como pandemia a doença trazida pelo novo coronavírus e recomendou a restrição da circulação de pessoas como medida de contenção. Neste mês, a Globo já paralisou a produção de suas novelas e séries e escalou reprises para preencher a grade, ao mesmo tempo que ampliou o tempo dos telejornais e programas informativos.

Também bastante impactado pela pandemia – todos os campeonatos esportivos nacionais e internacionais foram interrompidos — o esporte também vem procurando adaptar a cobertura nesses tempos. Como medida de segurança, o veículo também afastou das gravações presenciais os apresentadores e comentaristas com mais de 60 anos (faixa considerada como a mais vulnerável à doença, de acordo com a OMS). É o caso do narrador Galvão Bueno, que deixou de ser o apresentador titular do programa Bem Amigos, do SporTV, mas que continua participando da atração, por meio de entradas ao vivo diretamente de sua casa.

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