A nova era do negócio audiovisual

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A nova era do negócio audiovisual

Nunca se consumiu tanto vídeo e de tantas formas, mas muitas perguntas ficam no ar: ganhamos dinheiro da mesma forma? Sabemos o que entregar em cada plataforma?


3 de fevereiro de 2017 - 9h00

Foto: Reprodução

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O comportamento da indústria do audiovisual frente aos novos hábitos de consumo e de produção (motivados pelas novas plataformas de distribuição) tem sido um dos temas mais discutidos. Está claro para todos envolvidos na cadeia que cria, produz, empacota, distribui e exibe conteúdo que os modelos de negócios são desafiados dia a dia, e precisamos nos reinventar a cada instante.

Participei de um painel no Natpe, que ocorreu há duas semanas em Miami, sobre os mercados da América Latina e hispano-americano, compartilhando a mesa com grandes players (Viacom, Endemol Shine e Cisneros). O debate foi intenso e rico. Nunca se consumiu tanto vídeo e de tantas formas, mas muitas perguntas ficam no ar: ganhamos dinheiro da mesma forma? Sabemos o que entregar em cada plataforma? E assim por diante.

Tirei algumas conclusões e fico feliz em ter feito a minha mudança de executiva de multinacional para produtora independente neste momento.

São muitos aspectos comerciais e legais específicos do nosso País. Isso inclui leis de incentivo e cotas de produção nacional que beneficiam os produtores locais e permitem amplas parcerias internacionais, dando a oportunidade do surgimento de uma grande produtora internacional brasileira.

Grandes formatos internacionais, como o Bake Off, não cumprem cota em TV paga mas continuam prendendo as audiências tanto em TV aberta como nos canais fechados. Por outro lado, formatos locais invadem cada vez mais os canais pagos e já migram para os abertos, abrindo possibilidades para as vendas internacionais.

São várias formas de apresentar a marca em um programa sem que necessariamente precisemos transformar o programa em um super comercial. Os atributos da marca e seus valores permeiam todo o conteúdo

Já as séries de ficção, que são a bola da vez principalmente nas plataformas OTT, valem para a cota e contam com as leis de incentivo locais. Seu sucesso tem motivado o aumento na produção local deste gênero e está motivando muitas empresas a criarem e produzirem pilotos para viabilizar a produção de seus produtos para as diversas plataformas.

Importantíssimo para quem quer investir nesta área é entender as formas de consumo destes produtos pelos novos hábitos, e as várias janelas de exploração possíveis.

Os anunciantes têm buscado aumentar seu caminho para dentro do conteúdo, e posso exemplificar com um case de sucesso: o programa de meia hora Um, Dois Feijão com Arroz, encomenda da Discovery, criada e produzida para a Camil, com supervisão da Leo Burnett. São várias formas de apresentar a marca em um programa sem que necessariamente precisemos transformar o programa em um super comercial. Os atributos da marca e seus valores permeiam todo o conteúdo.

Neste jogo, o que vale mesmo para as produtoras é a capacidade de gerenciar equipes criativas e de produção especializadas, identificar bons conteúdos, criar uma network com os diversos parceiros que financiam a cadeia do audiovisual, promover modelos de negócios flexíveis e, principalmente, garantir a entrega com qualidade, prazo e custo compatível com a cada projeto. O negócio é o jogo de cintura!

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