AT&T, Time Warner, Trump e CNN: O que está em jogo?

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AT&T, Time Warner, Trump e CNN: O que está em jogo?

A informação está em fase de confirmação, mas é possível que a CNN seja expurgada da Time Warner pós-aquisição da companhia pela AT&T. E a raiz do problema é política


27 de julho de 2017 - 12h49

A informação está em fase de confirmação, mas é possível que a CNN seja expurgada da Time Warner pós-aquisição da companhia pela AT&T. A raiz do problema é política. A CNN está no topo da lista das empresas de mídia odiadas por Trump. Trump, por sua vez, tem em mãos a caneta que vaticina as novas regras para a operação das empresas de telecomunicações (telcos) nos Estados Unidos, sua nova regulamentação — isso tendo no horizonte a chegada do 5G e suas futuras e inevitáveis aquisições e alianças com grandes conglomerados de mídia, comunicação e entretenimento. Todo o mercado observa para ver o que vai acontecer. Ou seja, a CNN poderia vir a ser um entrave num plano estratégico maior. Vital, melhor dizendo, para o novo conglomerado AT&T/Time Warner e toda uma nascente indústria telecom/ mídia/entretenimento.

Foto: Reprodução

Há quem tema que a situação é tão crítica, que o negócio não seja autorizado pelos órgãos antitruste dos Estados Unidos, influenciados por Trump. Ou que Trump use seu poder para tentar minimizar as críticas da CNN, algo hoje potencialmente improvável. Mais fácil a CNN ser separada do todo. E, veja, não é um fato que se isola nos Estados Unidos, pois todas as empresas envolvidas são globais. Portanto, tudo isso terá reflexo imediato no Brasil também.

É um mundo novo para todos nós e um jogo totalmente novo para as telcos. A aliança delas com o mundo dos conteúdos proprietários e editoriais está se delineando e não há melhores práticas. Conteúdo editorial não é dado impessoal, nem pulso. Aliás, certos conteúdos mudam a vida do planeta. As opiniões e notícias da CNN, por exemplo.

Quando os administradores da AT&T aprovaram a compra da Time Warner (em verdade, seu take over por singelos  US$ 85,4 bilhões) não poderiam prever Trump. Mas uma coisa é certa, porque
é história: as empresas do setor têm ainda um tanto a aprender e entender quando se trata de gerir conteúdo que vá além dos VASs (Value Added Services).

VASs, você sabe, são os serviços de valor agregado que começaram lá atrás com os SMSs e depois os singelos ring tones, e seguiram sendo receita adicionada, não- core, ao faturamento das teles para além do que vem de voz e dados, e que contribuem para a conta do seu ARPU (Average Revenue Per User).

Os VASs cobrem atualmente um conjunto multivariado de itens, que vai de games a músicas, passando por publicidade e até pela distribuição de notícias, conteúdo, portanto. Mas nunca incluiu gerenciar o pepino que é ser um publisher de opinião de verdade de uma operação jornalística como a CNN.

É um mundo novo para todos nós e um jogo totalmente novo para as telcos. A aliança delas com o mundo dos conteúdos proprietários e editoriais está se delineando e não há melhores práticas. Conteúdo editorial não é dado impessoal, nem pulso. Aliás, certos conteúdos mudam a vida do planeta. As opiniões e notícias da CNN, por exemplo

Os VASs devem seguir crescendo e, olhados unilateralmente, continuar sendo um braço lucrativo de conteúdo da indústria em expansão acelerada, em função da explosão mobile (vídeos online sendo considerados o Santo Graal para as duas indústrias).

O que é importante para a sua e a minha reflexão aqui é o que virá da confluência desses mundos tão diversos. No caso AT&T/Time Warner, estamos falando de uma empresa de Hollywood, Califórnia, e outra de infraestrutura de telefonia de Dallas, percebe? Só perde em inusitabilidade para o caso da empresa que vende tudo online, de Seattle, sendo agora dona de um dos mais relevantes publishers políticos dos Estados Unidos e do mundo, de Wahsington D.C., if you know what I mean.

Neste gráfico da Bloomberg (abaixo), o que estamos falando é que a companhia resultante da união das duas transforma a AT&T/TW num gigante do conteúdo e telefonia. Concorde que é bem estranho ver essas linhas tão diversas colocadas num mesmo budget.

Mas, afinal, água e óleo é o que estamos falando aqui? Não deveria ser, pois as coisas se complementam maravilhosamente bem no papel: uma é a estrutura de distribuição, outra o que vai dentro. Em tese e no conceito, o casamento deve- ria ser perfeito. Só que não.

Até o momento, a experiência de in- corporação da Time Warner na estrutura da AT&T tem sido, digamos, delicada e cheia de dedos (o processo de fusão efetiva deve ser considerado concluído até o final deste ano). A decisão aparentemente é manter a gestão das duas companhias independente para minimizar conflitos, o que teoricamente deve agradar investidores e colaboradores.

Mas e Trump e a hipotética saída da CNN? Mesmo que só especulação ou algo que nem venha a acontecer, o mundo corporativo global vive e viverá momentos de grandes emoções e conflitos dessa natureza à frente. Será da fricção muitas vezes de opostos que deverá explodir a luz de uma nova indústria para a qual nem temos nome ainda. Mas que vai transformar nossos mercados profunda e inevitavelmente.

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