Excel não é banco de dados

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Opinião

Excel não é banco de dados

99% dos dados corporativos são desperdiçados e nunca usados para se extrair conhecimento, ou seja, apenas 1% dos dados coletados e armazenados são analisados


20 de dezembro de 2018 - 14h15

Crédito: iStock

Business intelligence (BI) e tecnologia caminham lado a lado.  Afinal, o real e mais curto significado da expressão business intelligence, que surgiu na propaganda há tão pouco tempo, é a utilização da tecnologia para transformar dados em informação.

A quantidade de dados existentes hoje, em especial por conta do ambiente digital, é tão indiscutivelmente incontável que a base de dados de determinado anunciante ou campanha analisada precisa ter uma capacidade que vai muito além de um milhão de linhas que o Excel suporta.

Digo isso porque hoje vejo que o BI na propaganda é tratado, em sua maioria, como enormes relatórios de Excel. Um exemplo rápido e muito simples: imagine fazer uma análise no Google Analytics do site da sua empresa do último ano, dividido por hora, por soucers (caminhos que levaram as pessoas a acessar o site), por estado, device e channel grouping. Essa análise daria cerca de 69 milhões de linhas, sendo impossível manuseá-la no Excel. Ao menos que você divida em cerca de 70 arquivos.

É claro que não estou desmerecendo a ferramenta. Aliás, eu, que tenho formação profissional na área de mídia, sou apaixonado e eternamente grato por todas as suas funcionalidades, mas quando se trata de base de dados, não é a melhor solução. Quando o time do Bill Gates desenvolveu o Excel em 1987 não tinha esse foco e continua não tendo, mesmo com as drásticas mudanças de 1987 para cá.

O verdadeiro BI necessita de infraestrutura, acessos homologados às infinitas fontes de onde são extraídos os dados como Facebook, Google, Instagram, Twitter, Adobe Analytics, Kantar Ibope Media, DoubleClick e muitas e muitas outras, além de preparação, integração, predição, armazenamento e visualização.

Para tantas etapas, equipes de três, quatro, dez ou até mesmo 20 pessoas, computadores desktop convencionais e relatórios gigantescos não são capazes de efetuar com rapidez e eficácia um trabalho tão importante, detalhista e fundamental para a nova publicidade.

Não podemos continuar achando que utilizar uma ferramenta como o Excel para fazer um trabalho de business intelligence seja entregar o melhor aos nossos clientes.

Se as agências de publicidade não passarem a trabalhar com tecnologia e fizer dela uma importante área do seu negócio muito provavelmente fracassarão. É preciso entender que o investimento em tecnologia como core das agências é fundamental para a geração de novas receitas. Trata-se de um investimento com retorno garantido.

O que tenho visto é que poucas empresas têm o que é preciso para aproveitar as grandes riquezas que os dados entregam e as consequências podem ser dramáticas. Empresa de ciência de dados baseada em Cingapura, a Datavlt diz que 99% dos dados corporativos são desperdiçados e nunca usados para se extrair conhecimento. Ou seja, apenas 1% dos dados das empresas coletados e armazenados são analisados. Isso, de acordo com a Datavlt, fará com que 96% das empresas de hoje não existam em dez anos.

Quais são os seus planos?

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