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Quer ter sucesso? Seja flexível e autônomo

As soft skills deixaram de ser importantes na carreira. Agora são determinantes para definir seu sucesso ou fracasso profissional


7 de maio de 2019 - 10h12

(Crédito: Reprodução)

Começo de maio e eu mal parei no Brasil. Em menos de quatro meses (três, se você considerar férias, Carnaval etc.), passei por Argentina, México, Colômbia e Estados Unidos, num road show devido a um novo papel regional. Foi uma experiência enriquecedora. Sempre trabalhei em contato direto com profissionais de outros países, mas foi a primeira vez que senti na pela que a carreira das pessoas está, de fato, mudando. De um jeito muito desafiador.

Está lá no relatório The Future of Jobs Report, publicado ano passado pelo World Economic Forum: é fundamental que as empresas assumam um papel ativo no apoio aos seus talentos, por meio de requalificação e melhoria de qualificações. E é essencial que os profissionais adotem uma abordagem proativa em relação à sua própria aprendizagem ao longo da vida. O duro é fazer isso acontecer.

Até 2022, nada menos que 54% de todos os profissionais empregados atualmente necessitarão de reavaliações e renovações de suas próprias competências, segundo o Banco Mundial. Mas aí que está o pulo do gato: não necessariamente essa renovação profissional vem com competências técnicas novas. Ela vem com o aprendizado das chamadas soft skills. Entre as mais citadas no estudo estão criatividade, originalidade, iniciativa, pensamento crítico e persuasão. Sua equipe é craque nessas habilidades?

Antes das minhas viagens recentes eu imaginava que as soft skills eram diferenciais profissionais. Que eram muito bem-vindas para ajudar a destacar os bons entre os melhores, mas não essenciais para qualquer profissional. Ledo engano. Soft skills não são mais nice to have. São must have. Se você não as tem, corra atrás. Se tem, cultive-as.

Quantas contas sua agência ganha ou deixa de ganhar por razões que não são técnicas? Quantas agências sua empresa contrata ou deixa de contratar, também, pelas mesmas razões?

A constatação de que as soft skills são fundamentais muda completamente a maneira de contratar. Sobretudo na indústria de comunicação, onde o grande diferencial é o talento das pessoas.

E também muda a maneira como devemos nos comportar profissionalmente. Sua qualificação pode ser a melhor possível: escola de primeira, fluência em cinco idiomas, dezenas de certificações. Seu diploma pode ser da Ivy League. Seu último curso pode ter sido o Power Destroyer Oito Pilhas Pica das Galáxias da Singularity University. Tanto faz: se você não tiver a atitude certa, está com os dias contados.

Você já leu umas 300 vezes que uma pessoa num cargo de comando não deve ser um chefe, mas um líder. E que para isso precisa inspirar o time, mostrar visão de futuro, um caminho estratégico sólido e construir empatia. Pois bem, hoje praticamente todos numa organização devem atuar como se estivessem em postos de comando — ainda que não tenham cargos formais para isso. Simplesmente porque é exigido do profissional moderno a capacidade de perguntar, construir junto, pensar no coletivo, respeitar liberdades e pensar nas necessidades dos outros. Independentemente de seu nível hierárquico.

Empregos mudaram. Funções mudaram. Expectativas mudaram. Quem acha que a condição essencial para atuar bem depende de um job description bem definido, com uma agenda fixa de afazeres e horários, lista de tarefas previsíveis e tapinha nas costas como recompensa pelo esforço… bom, deveria repensar sua carreira. E sua relação com o tempo, pois estamos falando de condições que funcionavam nos anos 1990.

Quem só pensa em seu próprio umbigo, e acha que a empresa está sempre devedora de mais oportunidades e reconhecimentos automáticos, devido ao histórico de serviços prestados e glórias do passado, está míope. Cego. E surdo. Carreira é algo pessoal, não terceirizável. Não existe entregar a gestão da sua vida profissional na mão da empresa onde você atua.

Quem pensa primeiro em si, querendo ganhar crédito sozinho pelo trabalho, e aquele que impõe seu ponto de vista aos outros, sem discussão, está simplesmente fora. Não resiste ao médio prazo. Pior: quem não ouve quem está à sua volta, eventualmente vai se ver cercado de pessoas que não têm nada a dizer. É um perde-perde. Já o ganha-ganha acontece quando percebemos onde aperta o calo do nosso interlocutor. Quando nos colocamos no lugar dele. Entendemos seu problema e nos predispomos a resolvê-lo, juntos. Para isso, ter qualificação técnica é algo básico. O que conta, mesmo, são as atitudes.

Se você é um profissional que pensa em sua formação acadêmica e de estudos, e que acha que precisa ter um aprendizado contínuo para atuar no mundo de hoje, está no caminho certo. Mas essa parte é só metade do que você precisa para chegar lá. Tão importante quanto estudar a parte técnica, é desenvolver habilidades como atenção aos detalhes, resiliência, flexibilidade, inteligência emocional, autonomia e influência social. “Disciplinas” que não se aprendem na academia, mas na escola da vida. Bora viver. De olhos bem abertos.

*Crédito da foto no topo: RawPixel/Pexels

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