TikTok: a startup mais valiosa do mundo. E você não conhece

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TikTok: a startup mais valiosa do mundo. E você não conhece

O aplicativo foi um dos mais baixados nos sistemas IOS e Android em 2019 nos EUA e na Europa


5 de junho de 2019 - 13h37

(Crédito: Yakubov Alim/iStock/Divulgação/Paris Filmes))

*Em colaboração com Jialu Shan

Há tempos espera-se que o mundo das gigantes tecnológicas seja tomado por companhias chinesas, como Alibaba, Tencent, Baidu e JD. Entretanto, esses esforços tem sido desapontadores. O aplicativo mais popular do ocidente ainda é o Whatsapp, não o WeChat; para pagamentos pessoas usam o PayPal, não o Alibaba; o Google domina o mercado de pesquisa, não o Baidu.

Na verdade, Google, Facebook, Instagram, Snap, Spotify e Amazon quase não notaram o impacto competitivo de suas equivalentes chinesas. Enquanto a China conquistou um vasto sucesso no mercado de hardwares, não encontrou ainda o modelo de sucesso de softwares. Pelo menos até agora.

Você pode nunca ter ouvido falar sobre, mas o TikTok se tornou um dos aplicativos mais baixados de 2018 nos EUA e na Europa, tornando instáveis os likes direcionados ao YouTube, ao Instagram e ao Snapchat. TikTok já foi baixado mais de 80 milhões de vezes nos EUA, sendo 4 milhões na App Store apenas em outubro. É também um dos aplicativos mais populares do Google Play.

O que é o TikTok?

O TikTok é uma plataforma de compartilhamento de vídeos remexida. Eles não podem ter mais de 15 segundo e são baseados em diversos temas: música, culinária, viagem, dança, moda e assim por diante. Usuários criam esses pequenos vídeos, usando ferramentas simples para adicionar música e efeitos especiais, e compartilham eles no site. Os clipes mais populares possuem alto valor de entretenimento, com um premium de gratificação instantânea. Similar ao já encerrado Vine, o TikTok pode ser entendido como uma versão de vídeo do Instagram ou do Snapchat.

O TikTok vem da China, mas não é de uma das gigantes de tecnologia. Apesar dos investimentos massivos em plataformas de vídeo por companhias como Alibaba, Tencent e Baidu, nenhuma delas domina o setor. TikTok – localmente chamado de Douyin – foi lançado em 2016 pela ByteDance, uma companhia de tecnologia de Pequim focada em notícias. Seu aplicativo noticioso, Toutiao, usa inteligência artificial para absorver a preferência dos usuários e, então, oferecer a eles um feed customizado. ByteDance usa o mesmo algoritmo para oferecer vídeos relevantes aos usuários do TikTok.

No começo de 2017, Douyin se tornou a plataforma de vídeo mais popular da China. Em novembro, ByteDance investiu US$ 1 bilhão para adquirir um competidor chamado Muscal.ly, que também é chinês, com a maioria da sua base nos EUA. O alcance global das marcas formou uma combinação poderosa.

Enquanto muitas redes sociais focam em consistência e alcance global, o TikTok foca em audiências locais específicas. No Japão, por exemplo, o TikTok colaborou com uma gerenciadora de artistas para levar o tráfico do YouTube para sua plataforma usando uma marca da água da rede social em vídeos criados pelas celebridades locais. Também lançou uma série de campanhas de música e dança focando na superação da vergonha, um problema para muitos adolescentes no país.

Desafios são um dos principais elementos do TikTok. Há vídeos que são interpretados com massas de modelar, com pessoas criando diversas respostam a um meme popular. Recentemente, um de ursos de goma cantando Adele conquistou 1,7 milhão de likes no TikTok.

Vantagens competitivas

No fim de 2018, o TikTok tem mais do que meio bilhão de usuários ativos (mais do que o Twitter) – cerca de 40% deles fora da China. Não é surpresa que gigantes chinesas estão estudando de perto as abordagens de sucesso do TikTok em design simples, promoções ativas, atenção em diferentes localidades e aquisições, com um carinho especial para emular a fórmula mágica para o sucesso em mercados globais.

A Tencent já está fazendo uma aposta na indústria de streaming de vídeos curtos investindo na Kuaishou, o principal competidor do TikTok, além de botar dinheiro em sua plataforma própria, Weishi. As gigantes do ocidente também estão tomando notas, com o Facebook lançando o Lasso sem alarde no fim de novembro.

Enquanto isso, ByteDance recentemente completou uma nova rodada de investimento com o SoftBank. Isso elevou o valor da companhia para UUS$ 75 bilhões, tornando a startup mais valiosa do mundo, ultrapassando inclusive o Uber.

Mesmo assim, a ByteDance não pode descansar tranquila. Se quiser construir a fama de primeiro aplicativo global da China, precisara expandir massivamente a sua base ao mesmo tempo que se protege de ataques de companhias mais ricas – seus competidores chineses e globais. Construir um aplicativo de sucesso é uma coisa. Mas, como o Snapchat mostra, sustentar isso é algo completamente diferente.

 

*Crédito da imagem no topo: RawPixel/Pexels

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