O entretenimento e a geografia

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O entretenimento e a geografia

Quando o nome (marca) dos eventos está intimamente relacionado a uma cidade, existe uma conexão muito mais ampla do que a óbvia referência geográfica


9 de julho de 2019 - 8h00

(Crédito: Carlosvaladasphotography/iStock)

Como responsável pela organização de eventos, sempre presto muita atenção a nomes de eventos que fazem referências geográficas a cidades ou países. Rock in Rio Lisboa e Rally Dakar Latin America são os dois exemplos mais latentes dessa minha incursão geográfica pelo entretenimento.

Quando o nome (marca) dos eventos está intimamente relacionado a uma cidade, existe uma conexão muito mais ampla do que a óbvia referência geográfica. Simples assim! O festival Rock in Rio, com uma história fantástica de brand awareness em diversos países, tem a antecedência nessa conexão geografia versus posicionamento de marca. Ao iniciar as suas edições de sucesso na Europa, começando por Portugal, manteve o nome da marca e se “associou“ geograficamente à cidade de Lisboa, excelente anfitriã através da utilização do seu parque Bela Vista.

A referência ao Rio de Janeiro no nome do evento na verdade quer incluir uma conexão emocional com o espírito carioca, o verão, um estilo de vida descolado… Enfim, todos os atributos positivos da marca Rio de Janeiro em um local geográfico a oito mil quilômetros de distância.

O mesmo com o antigo Rally Paris Dakar que, no seu princípio, descrevia uma simples ligação geográfica do início com o fim. Depois de alguns anos e vários problemas político-logísticos, a organização resolveu montá-lo na América do Sul e, para manter o mesmo espírito aventureiro da atividade, manteve o nome Dakar. Agora, não mais como referência geográfica, mas sim como conexão emocional ao tema.

Esses dois exemplos mostram que a geografia (e seus atributos físicos) pode e deve atuar para ajudar marcas de entretenimento e outras a se posicionarem (pensem também em Patagônia e The North Face na moda). Mas, qual é o limite disso?

Recentemente, acompanhamos a disputa da Amazon (comércio eletrônico) com a Amazônia (região espalhada entre três países da América do Sul). Quem quer se apropriar de quem aqui? Quem possui esses “direitos” que uma marca pode ou não decidir se apropriar? Dakar recebe royalties do organizador do Rally do outro lado do oceano Atlântico? Quais são os limites dessa conexão emocional-geográfica?

Leio que o famoso evento Paris Photo, organizado anualmente na capital francesa e que funciona como uma referência mundial para os apaixonados pela fotografia (meu caso!), decidiu ampliar o seu escopo de atuação e lançou uma edição nos Estados Unidos — Paris Photo New York. Isso mesmo. Duas cidades no nome do evento para mostrar uma conexão de relevância entre os ávidos consumidores americanos e o principal evento de fotografia como arte do mundo. Quem está pagando quem pelo uso das marcas? Paris recebendo royalties de Nova York? Lisboa pagando para o Rio? Duvido…

Fica a questão desta “apropriação” para discussão… Soft power é uma arma muito poderosa hoje em dia e as marcas devem e podem se aproveitar destas possibilidades.

Quando teremos a Copa América na África?

*Crédito da imagem no topo: gilaxia/iStock

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