O machismo no live marketing

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O machismo no live marketing

A única forma de estabelecermos equidade de fato é andarmos juntos, homens e mulheres, compartilhando cargos, salários, lugar de fala, dores e privilégios como iguais


19 de julho de 2019 - 15h02

(Crédito: FangXiaNuo/iStock)

Foi apenas em 1962 que a mulher pôde começar a criar sua própria vida. Com a mudança no Estatuto da Mulher Casada, deixamos de ser tutela de nossos maridos e nos tornamos indivíduos, com a possibilidade de termos um número de CPF próprio e perspectiva de um futuro independente. O quão longe está 1962 de hoje? Apesar de muitas leis pregarem equidade entre os gêneros, a realidade pode ser muito diferente, principalmente quando falamos do mercado de trabalho, onde a desigualdade entre homens e mulheres não diminui há 27 anos, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT).

Nas empresas eles são maioria, ganham mais, estão em mais cargos de liderança e possuem maior poder de decisão. Fora dali, somos 6,3 milhões de mulheres a mais do que homens, além de sermos responsáveis por 85% das decisões de compra, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas a comunicação sempre nos viu somente como mães comprando produtos para casa, isso quando não nos estereotipam como objetos sexuais. Afinal, por que as campanhas não conversam com a gente?

Os cargos de criação são ocupados majoritariamente por homens, apenas 26% dos casos possuem mulheres à frente dessas posições. Essa discrepância pode gerar problemas na relação entre consumidores e empresas, considerando que uma pesquisa realizada pelo TrendWatching revelou que, para 65% das mulheres no Brasil, a comunicação não gera vínculo nenhum com a marca por não se sentirem representadas. E mais, o estudo feito pelo Think Eva mostrou que, para 62,4% das mulheres, a comunicação das marcas parece ser sempre ‘mais do mesmo’.

A representatividade da mulher é de extrema importância, viver presenciando campanhas feitas com, e para mulheres perfeitas com vidas sublimes fere a autoestima das pessoas reais. Hoje, por exemplo, apenas 4% da população feminina se considera bonita e a comunicação das marcas possui uma responsabilidade muito grande nesse dado assustador. As mulheres atuais desejam ser representadas por inteligência e independência.

Com equipes mistas e equilibradas, esse posicionamento tende a ser explorado de forma correta. Mentes diversas estimulam a criatividade e podem propor iniciativas de forma ágil, com a soma de ideias e vivências. É importante entender que não somos todas iguais. Nem sempre somos casadas ou temos filhos, nós também consumimos cervejas, dirigimos carros, assistimos e jogamos futebol.

A única forma de estabelecermos uma relação ganha-ganha nesta equação é andarmos juntos, homens e mulheres, compartilhando cargos, salários, lugar de fala, dores e privilégios como iguais. O sucesso vai acontecer quando entendermos que a realidade entre ambos é muito diferente, aceitando que precisamos trabalhar lado a lado para gerar os melhores resultados possíveis. A equidade na comunicação e na vida é o que buscam as mulheres atualmente.

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