Indústria da longevidade

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Indústria da longevidade

Entre pessoas com 60 anos ou mais, 52% dos entrevistados afirmam ter dificuldades de encontrar produtos que atendam às suas necessidades


5 de novembro de 2019 - 15h30

(Crédito: Matthew Bennett/ Unsplash)

Se você ainda não tem 50 anos ou mais, já se perguntou quais serviços usará quando chegar a esta idade? Sem dúvida, grande parte das pessoas não está pensando nisso. Mas já existem marcas que estão olhando com mais atenção e propósito para esse público, que só tende a crescer.

O IBGE projeta uma população de 73 milhões de idosos em 2060 no País — um incremento de 13% para 32%. E o mercado brasileiro tem aguçado o seu olhar para novas formas de dialogar com este consumidor daqui para frente — cada vez mais integrado aos meios de comunicação, às inúmeras plataformas de consumo e com uma necessidade cada vez maior de ser acolhido por marcas.

Participei recentemente da feira Longevidade Expo + Fórum, em São Paulo, discutindo exatamente isso: a necessidade de se buscar formatos inovadores de comunicação para o público 50+. Muito além de fazer publicidade ou vender um produto, o desafio é descobrir quem são essas novas gerações da melhor idade. A economia da longevidade é uma onda que contribui para a industrialização. Amplia o consumo e abre um horizonte para oportunidades. Mas será que o mercado já está preparado para servir a esse nicho?

Um estudo realizado em junho deste ano pela Globo, intitulado “Mais Idade”, comprova que ainda não: as pessoas com 60 anos ou mais, no Brasil, sentem falta de produtos, serviços ou marcas que se aproximem do universo de sua geração. Mais de 52% dos entrevistados afirmam ter dificuldades de encontrar produtos que atendam às suas necessidades.

Isso mostra que ainda não estamos acostumados a olhar para a longevidade. Chegar bem aos 70, 80 ou 90 anos é um fenômeno relativamente recente na sociedade, se pensarmos que, na década de 1940, a expectativa de vida no brasileiro era de 45,5 anos, em média. Viver por mais tempo traz consigo uma série de condições comuns desse novo contexto, como parte do processo natural de envelhecimento do corpo, que precisam ser olhadas mais a fundo, entendendo seu funcionamento e buscando soluções inovadoras e mais adequadas à realidade do público maduro no século 21.

Para se ter uma ideia, uma a cada quatro pessoas acima dos 40 anos convive com incontinência urinária. Estamos falando de um universo de mais de 22 milhões de pessoas no Brasil, sobretudo mulheres, que passam a vivenciar episódios de escapes de urina, seja em maior ou menor grau, decorrentes de esforço físico ou do processo de mudanças do corpo nessa fase.

E não estamos falando aqui de um público de baixa mobilidade. São mulheres ativas, em sua maioria, que estão no mercado de trabalho, que viajam, têm seus hobbies, compromissos e uma vida acontecendo. Ao oferecer um produto para esse público, precisamos não só entender sobre a condição da incontinência, mas também enxergar o contexto em que estão inseridas. Essa mulher madura busca liberdade e discrição, por exemplo. Ao mesmo tempo, é preciso entender como ela se comunica e onde busca suas informações.

Os novos maduros são ativos e digitais. Estudo elaborado pela Mind Miners e Hype60+ com pessoas acima de 50 anos traz um achado ainda mais valioso: 71% dos respondentes afirmam serem digitais e 88% utilizam WhatsApp, 65% Facebook e 48% Instagram. E mais do que isso, são impactados, consomem conteúdo de influenciadores e compram produtos que são indicados por eles.

Sem dúvida, as marcas têm o desafio de encontrar maneiras de se aproximar ainda mais desse público, indo além do discurso. Isto é, com atitude, criatividade e propósito.

Será que estamos preparados para isso? Convido você a separar cinco minutos do seu tempo e pensar: qual produto ou serviço as pessoas de 50+ usarão em 2060? Infinitas possibilidades. A longevidade vem para transformar a forma de se comunicar e fazer parte disso é pensar num futuro não muito distante.

*Crédito da foto no topo: Reprodução

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