Consumo consciente abre campo para cosméticos éticos

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Consumo consciente abre campo para cosméticos éticos

É necessária uma postura verdadeiramente “verde” para desenvolver ações e produtos nesse sentido


4 de março de 2020 - 13h36

(Crédito: Paulynn/ iStock)

Há um novo mercado se abrindo e as empresas precisam entender como trabalhá-lo: são os cosméticos éticos — produtos veganos, orgânicos e/ou naturais e que trazem maior preocupação não apenas com o bem-estar animal, mas também com o meio-ambiente e com a saúde dos usuários. Essa imensa oportunidade surge a partir do consumo consciente e é alavancada, principalmente, por mulheres na faixa etária entre 18 anos e 34 anos e independentes financeiramente. Elas tendem a ter animais de estimação, buscam alimentação mais seletiva e acreditam na necessidade de preservar o meio ambiente, mostrando que as decisões de consumo transcendem o simples fato de consumir, atingindo outras esferas pessoais. As constatações são da pesquisa Universo dos Cosméticos Éticos, realizada pela Research Designed for Strategy.

O estudo, com foco nas categorias de cuidados corporais, faciais e maquiagem, aponta que esse mercado em expansão ainda tem grande potencial, pois dois terços das mulheres ainda não consomem esse tipo de produto. Para essas, saber mais sobre performance desses produtos e os reais benefícios que trazem ao meio ambiente e ao organismo de quem os usa é fundamental para que possam também aderir a este movimento.

É crescente a busca por itens de consumo mais sustentáveis, seja produtos alimentícios ou de beleza e higiene. Esse movimento mais ético surgiu com pequenas empresas, que nasceram com essa causa, ajudaram a despertar uma consciência mais ampla nas consumidoras e acabaram servindo de inspiração para as organizações mais tradicionais, que começaram a correr atrás desse prejuízo.

O que era um nicho, ganhou corpo e se transformou em um mercado com amplo horizonte. Nesse sentido, o estudo também mostrou que as consumidoras estão mais atentas às marcas com maior tradição de mercado, pois quando perguntamos às consumidoras quais são as marcas de cosméticos que se relacionam a causas éticas que conhecem, aquelas que têm posicionamento e comunicação mais consistentes em relação a esse tema foram as mais mencionadas por usuárias. Assim, Natura e O Boticário se destacaram, citadas por 40% das entrevistadas. Porém, isso não é regra, pois muitas marcas menores, de nicho, também foram mencionadas e, juntas, representam uma fatia extremamente significativa desse mercado.

As grandes fabricantes perceberam que precisam participar desse mercado em evolução, atendendo as consumidoras de forma positiva. Contudo, cabe uma ressalva: não adianta só querer atender essa demanda para ampliar o market share, pois é necessário que apresentem uma postura verdadeiramente “verde” para desenvolver ações e produtos nesse sentido. As consumidoras veem como positivo o movimento das marcas convencionais em relação aos produtos veganos, orgânicos e naturais, mas, ao mesmo tempo, se perguntam se, de fato, a preocupação é genuína. O lado bom é que já existem bons exemplos de empresas com essa abordagem genuinamente mais natural e ética, mas isso pode e deve crescer.

A pesquisa não deixa dúvidas sobre o interesse das consumidoras e sua identificação com marcas que se unem a uma causa e que estejam comprometidas com temas que vão além do lucro. Estamos vendo o fortalecimento de um ciclo com espaço para todas as marcas, bom para a sociedade e bastante positivo para o planeta. Se as pequenas empresas tiveram grande mérito de abrir esse horizonte, as grandes podem desempenhar um papel determinante na massificação dessa tendência, ampliando exponencialmente o uso ao oferecer mais opções de produtos.

Não apenas por “modismo”, mas, principalmente, por maior consciência quanto ao seu consumo e seus valores, as mulheres estão gradativamente buscando cosméticos “do bem” e tudo indica que esse movimento veio para ficar.

*Crédito da foto no topo: Noah Buscher/ Unsplash

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