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Você também está se sentindo exausto e exausta?

A liderança assume um papel essencial: adaptação e olhar para o outro


26 de junho de 2020 - 13h35

(Crédito: Ajijchan/istock)

A pandemia da Covid-19 e as mudanças a que fomos impostos no dia a dia estão inspirando reflexões e questionamentos sobre diversos assuntos relacionados ao mercado de trabalho, principalmente, sobre os modelos de liderança e produtividade excessiva. A linha tênue entre o escritório e nossas casas não existe mais. Ao mesmo tempo que estar seguro é um alívio, liderar remotamente e conciliar tarefas domésticas com as atividades profissionais pode ser uma jornada exaustiva.

Josh Bersin, referência na indústria global de RH e conhecido por ditar tendências nas áreas de recrutamento, gestão de pessoas, liderança e tecnologia, lançou um site para criar um diálogo interativo entre profissionais de RH, com insights sobre os maiores desafios da área de pessoas nesse momento de incertezas que estamos vivendo. Produtividade e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional foram os temas mais abordados. Sim, o modelo de home office é efetivo. É quase unânime entre gestores e liderados. Todos concordam que com o home office há aumento de comunicação e produtividade, porém, evidenciou-se uma fragilidade emocional em todas as pessoas.

De acordo com um estudo recente da MetLife que definiu as pessoas como “exaustas”, o momento que vivemos causou uma “sobrecarga cognitiva de trabalhar em casa”. Para tentar explicar esse efeito, a pesquisa cita fatores como local de trabalho inadequado, família presente, animais de estimação e tantas outras responsabilidades e distrações as quais fomos obrigados a administrar atualmente.

Sem dúvida, além da confiança, nossa saúde mental também está sendo posta à prova diariamente. E está falhando miseravelmente! Antes considerados um tabu corporativo, hoje, o burnout e o estresse estão perigosamente presentes na rotina de todos nós. Você já se sentiu mal por estar focado no trabalho e não conseguir dar atenção para seus filhos? Acontece comigo várias vezes, inclusive, enquanto escrevo este artigo e meu pequeno pede para brincar. Acredito que na medida em que as atividades, como escola, creche, ajuda doméstica etc., forem retornando ao “novo normal”, talvez essa carga, essa culpa, diminuam.

Em tempo, voltando às rotinas exclusivas de trabalho, julgo essencial o feedback constante e a comunicação direta e aberta. O cenário atual reforçou a importância de mantermos as pessoas informadas e em um estado de segurança psicológica. Sejam boas ou más notícias, o CEO deve estar à frente das comunicações e tratar as questões mais críticas de forma ágil, presente e sincera. Neste aspecto, as empresas precisam contar com tecnologias e ferramentas que se fazem necessárias.

De acordo com o artigo “Returning to work in the Future of Work”, da Deloitte, as empresas devem alavancar a oportunidade de retornar ao trabalho definindo o seu futuro do trabalho, aplicando as lições aprendidas, as práticas e a força que conquistaram durante esse período como resposta à crise. É hora de conscientemente refletir e se apropriar daquilo que de melhor aconteceu nestes últimos meses e semanas, incluindo os aprendizados em seu modelo de gestão e atuação.

Algo que percebi neste período de pandemia foi que as pessoas e empresas se tornaram mais humanas. Vimos iniciativas como o #NãoDemita se organizar e contar com a aderência de diversas companhias em detrimento de um lucro maior. Além disso, percebi uma atmosfera maior de colaboração acontecendo, movimentos de bairros angariando recursos para ajudar quem mais necessitava do básico ganhando força e uma preocupação genuína com o próximo.

Algo que estou vivendo e que tem rompido de vez alguns paradigmas é que nossa empresa está conseguindo operar 100% em home office. Entendo que isso não se aplica para todas as empresas, mas, em nosso caso, era uma prática comum entre algumas equipes e em outras não. Acreditávamos que não era possível esse modelo de trabalho para 100% da companhia, o que se provou totalmente equivocado. Umas das lições aprendidas e que já mudou completamente a nossa mentalidade é que sim, podemos praticar o modelo de trabalho remoto em todas as áreas. Podemos e vamos.

Agora, existe uma questão fundamental nisso tudo: para que o trabalho remoto funcione e as empresas prosperem é necessário um modelo de gestão específico. Um modelo que exige gestores preparados. Uma pesquisa do Global Place Analytics destaca que devemos reduzir o receio de trabalhar remotamente entre gerentes e executivos. Um dos principais obstáculos do trabalho remoto é a confiança. Gerentes simplesmente não confiam em suas pessoas trabalhando longe. Eles estão acostumados a gerenciar contando suas bundas nas cadeiras, ao invés de analisar o resultado que elas entregam. Isso não é gerenciar. É comando e controle, palavras que, definitivamente, não se encaixam mais quando estamos falando de futuro do trabalho. Afinal, olhar para a nuca de alguém não diz se aquela pessoa está realmente trabalhando.

Ter uma visão definida, diretrizes para o ano, metas e planos de ação para chegar ao resultado esperado é essencial, assim como, saber o que fazer, como fazer e acompanhar os indicadores com rituais de gestão. E tudo isso desdobrado para todos os níveis da companhia fará com que os gestores tenham as condições necessárias de acompanhar as entregas e os resultados, independentemente de onde o colaborador estiver.

Em tempos de crise, crescemos, buscamos força uns nos outros e a liderança assume um papel essencial: adaptação ao inevitável, além de sagacidade nas ações dos times e pensamento coletivo, olhar para o outro.

*Crédito da foto no topo: Antorti/ iStock

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