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Opinião

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Fomos "programados" para a bondade, para a cooperação em vez da competição e mais inclinados a confiar em vez de desconfiar uns dos outros


14 de janeiro de 2022 - 6h00

“A necessidade de isolamento social e do trabalho remoto no auge da pandemia deram sinais de como nossa vida e nosso trabalho também depende dos outros.” (Crédito: Shutterstock)

Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, temos uma visão um tanto quanto deturpada sobre a humanidade. Ao longo da história, estudos, pesquisas e a vida real mostram que os seres humanos são bons. Não é papo de coaching para espalhar gratiluz por aí, é resultado da pesquisa do historiador Rutger Bregman retratado no livro “Humanidade: uma história otimista da humanidade”.

Bregman traz uma nova perspectiva sobre a história da humanidade e prova com dados que sim, fomos “programados” para a bondade, para a cooperação em vez da competição e mais inclinados a confiar em vez de desconfiar uns dos outros.

Portanto, acreditar na humanidade é uma postura realista. Imagino que você revirou os olhos e pensou: E a política? E a economia? E a pandemia? Você está certo sobre isso, porém, sou uma otimista por natureza para enxergar que a maior parte da humanidade é altruísta e vive bem em sociedade. Não fosse isso, não estaríamos aqui para contar história.

A necessidade de isolamento social e do trabalho remoto no auge da pandemia deram sinais de como nossa vida e nosso trabalho também depende dos outros.

Desde os primórdios, a publicidade incentiva o trabalho em duplas ou em grupos criativos. Mas a chegada do vírus Sars-CoV2 trouxe uma outra perspectiva sobre tudo à nossa volta. Enquanto o mundo parou, os publicitários tiraram coelhos da cartola para dar voz às marcas e produzir uma comunicação muito mais efetiva e atrelada ao público, como nunca antes na história. Por incrível que pareça, o distanciamento social nos aproximou. Só conseguimos segurar a onda no convívio virtual com familiares, amigos e a turma do trabalho. Tivemos tempo suficiente para compreender a perenidade da vida e a necessidade de não perder tempo com coisas pequenas.
E não bastasse a presença de um inimigo invisível, assistimos ao vivo o poder do coletivo transformando demandas sociais, políticas, ambientais e de igualdade racial unindo pessoas em todo o mundo. Brigamos por vacinas, por alimentos, pelo meio ambiente e, em meio a todo esse sufoco, finalmente gritamos em alto e bom som: BLACK LIVES MATTER!

Vimos as pessoas juntas dizerem “não” a tantas injustiças e pessoas se unindo em ações para ajudar na prática quem perdeu o emprego e ficou ainda mais vulnerável. Diversas nações batendo palmas para os médicos na linha de frente ao combate à Covid-19. Vimos de novo a solidariedade com os idosos ou com os vizinhos que eram grupos de risco. Vimos o coletivo se unir em denúncias contra a violência à mulher. Vimos o coletivo não tolerar mais os maus tratos contra os animais e exigir leis rígidas. Está vendo como a humanidade está programada para a bondade, a cooperação e a confiança no próximo?

E como não ser assim trabalhando com propaganda, não é mesmo? Nossa profissão existe para pessoas e é feita por pessoas. E são tantas pessoas que, a cada dia, percebemos que ter diversidade dentro da nossa agência é o que muda o jogo e traz projetos grandiosos desenvolvidos por diferentes pontos de vistas e vivências.

Eu, como líder feminina dentro da agência em que atuo, quero cada vez mais colocar em prática o poder do coletivo e inspirar mulheres. É tão esperançoso ver grandes grupos de mulheres publicitárias tomando corpo. Afinal, como já dizia Milton Nascimento: “Maria, Maria…quem tem no corpo essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida”.

O coletivo tornou muita coisa possível, e – falando na publicidade – ainda há muito o que fazer. Porém, o importante é que caminhamos juntos, dando passos largos, para a transformação da nossa profissão e quebrando tabus. Seguimos, a cada dia, mostrando a força das mulheres, a força da diversidade, a intolerância ao preconceito – seja ele qual for.

E quando a pandemia acabar, poderemos, enfim, colocar em prática as trocas de carinho que só o coletivo é capaz de proporcionar: como abraços, beijos e muita energia nos longos encontros que teremos.

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