Errar é humano, aspirar o erro é engano

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Opinião

Errar é humano, aspirar o erro é engano

O errar rápido se refere a pessoas e negócios que possuem a condição de tentar de novo e de novo, pois sempre haverá dinheiro, investidor ou capacidade de investimento


1 de abril de 2022 - 12h21

Crédito: Shutterstock

Vamos refletir sobre como uma parte do mundo dos negócios pensa e fala sobre o erro? Não o direito legítimo de toda pessoa se equivocar, mas sim de uma certa glamourização que até tornou o erro uma aspiração para muitas empresas e suas lideranças.

Em primeiro lugar, vamos voltar um passo e contextualizar. Há, no mundo dos negócios, muitas frases, jargões e crenças que muitas vezes servem como inspiração e direcionamento para lideranças e seus times, certo? Erre rápido é um exemplo dessas frases que se tornam crenças e direcionam pensamentos e comportamentos dentro das organizações. A questão é que muitas vezes essas frases, jargões e crenças são importadas de ambientes bem diferentes dos que temos como padrão aqui no Brasil. Sem contextualizar, o que poderia ajudar, pode acabar atrapalhando e muito. Vejamos o pensamento “erre rápido”: empresas no Brasil, em sua maioria, são micro e pequenas organizações. Muitas delas não podem se dar ao luxo de pensar em errar. Não de um jeito aspiracional —“tenho que errar logo para acertar logo”.

O errar rápido se refere a pessoas e negócios que possuem a condição de tentar de novo e de novo, pois sempre haverá dinheiro, investidor ou capacidade de investimento. Por isso é importante não generalizar as frases, sem entender o contexto.

Dito isso, vamos voltar ao conceito da moda, o erro. Isso vale para todas as empresas, incluindo as nossas startups. Pouco ou nada vai adiantar desenvolver um produto, por exemplo, seguindo todo o protocolo com teste e retorno para ajustes ou refações. Se não houver reflexão, o risco de errar novamente é grande. E, para a maioria das pessoas, o erro em um projeto que já se investiu muito tempo e recursos pode ser fatal.

Não aprendemos só errando ou acertando. Aprendemos refletindo sobre o que deu errado e o que deu certo. O que não fiz e o que deveria ter feito? Ou, o que fiz e trouxe um ótimo resultado? Essa pergunta também é importante, pois você pode acertar e não saber por que. E aí será difícil acertar de novo.

Você já pensou sobre a diferença entre solidão e solitude? A primeira é a angústia de estar sozinho, e a solitude é a glória disso. Os momentos de solitude são de grande reflexão. Embora as duas situações impliquem em estar sozinho, a questão é o que cada um faz com isso. O que você faz com o seu erro? Não pensa e continua errando ou reflete, redireciona e evolui?

Claro que a vida do gestor quase sempre é tão corrida que não sobra tempo para se refletir sobre o que deu certo, o que deu errado e os porquês. Mas não evoluímos por falta desses momentos; e assim, repetimos os mesmos erros, já que não houve o aprendizado e consequentemente a evolução.

Por tudo o que falamos até aqui, prefiro pensar em “evolua rápido” no lugar de “erre rápido”. Evoluir rápido é aprender e implementar o que aprendeu e desaprender o que não funciona mais. Refletindo sobre erros e acertos para evoluir, melhorando a versão do negócio constantemente e consistentemente.

Esse conceito, que é o cerne das startups, pode ser aplicado em qualquer empresa. Imagine que você quer abrir uma loja em um shopping — mas, sabemos, representa um alto investimento. Como validar essa ideia antes? Alguns exemplos: você pode começar só no online; pode abrir um quiosque, que tem um custo menor; ou, quem sabe, uma loja temporária em algum período propício, como férias, feriado ou black friday, que é o que chamamos de “pop-up store”. Quando o seu atendimento e o seu produto estiverem validados, você pode dar o próximo passo. Se der errado e fechar, isso não vai comprometer a sua vida como um todo. Mas, se já partir para a loja no shopping, você poderá ficar bem comprometido no caso de fechar.

Isso vale para qualquer ideia, até para implementar uma pesquisa de Net Promoter Score (NPS) na empresa. Você vai pagar de cara uma plataforma de NPS? Não é melhor, antes, usar uma plataforma gratuita ou até fazer na mão? É isso, para qualquer ideia é possível e prudente usar esse conceito.

Se acertar, vai evoluir a ideia, agilizar o crescimento. Se errar, vai ser em um estágio inicial com menos comprometimento de tempo, dinheiro e energia. E, logo, mais fácil de recuperar, redirecionar e evoluir, sem muitos danos ao negócio. Isso é o MVP (Mínimo Produto Viável), que eu prefiro chamar de Melhor Validar Primeiro. Isso nada mais é do que ter a consciência de cada passo que se dá, dos erros e dos acertos.

E pode estar certo de que, quanto mais pensar sobre os seus processos, menos você errará. Acertando mais, o seu negócio ganhará. Então, vale a pena, sim, incluir na agenda o tempo para avaliar se você é um replicador de conceitos ou reflete antes de colocar em prática qualquer coisa que você leu. E se você quer pensar se uma coisa faz sentido para o seu negócio e deixar de apertar Ctrl C + Ctrl V.

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