Como novas alavancas de receita estão transformando o varejo
Evento da NRF mostra que 25% dos lucros dos grandes varejistas provêm de atividades além da venda de produtos, quais os segredos para essas alavancas?
Durante apresentação da BTRVarese (com Eduardo Terra e Alberto Serrentino) no Harvard Club, em Nova York, como parte da NRF, uma estatística chamou a atenção: 25% dos lucros dos grandes varejistas provêm de atividades além da venda de produtos. O destaque não é o número em si – já que esses montantes são ainda maiores no mundo digital –, mas o fato destas iniciativas ganharem prioridade por parte desses players, fruto da mudança estrutural profunda do varejo moderno.
Serviços logísticos, marketplaces, serviços financeiros e retail media evoluíram de meros complementos do negócio para pilares independentes e altamente lucrativos — muitas vezes com margens significativamente superiores às do core business do varejo.
E o segredo desse sucesso está no fato de essas alavancas terem surgido de forma orgânica, com o objetivo de resolver “dores” reais no negócio principal: seja aumentar as vendas, melhorar a experiência do cliente, expandir o sortimento, garantir a segurança das transações ou otimizar as operações. Somente após provarem seu valor interno é que evoluíram para fontes de receita externas, criando valor para terceiros (marcas, vendedores, anunciantes) e tornando-se negócios altamente rentáveis por si sós.
Algumas das principais alavancas que redefinem o varejo são: logística, marketplace, serviços financeiros, retal state, infraestrutura tecnológica e retail media – esta última, a que mais acelera e redefine o setor. O retail media é mais um exemplo de serviço que nasceu de uma solução orgânica, quando varejistas passaram a negociar espaços premium nas prateleiras e em seus corredores promocionais (Action Alleys) para lançamentos ou queima de estoque. No mundo digital, o ativo principal mudou da prateleira física para os dados do cliente (transações + comportamento). Agora, podemos ajudar e influenciar ao longo de uma jornada completa de funil muito mais longa.
O varejo possui uma vantagem competitiva cultural: ao longo de sua história, transformou consistentemente desafios operacionais em oportunidades lucrativas. Essa mentalidade pragmática e orientada a resultados é precisamente o que permitirá ao setor realizar a transição para novas tecnologias com sucesso e rentabilidade.
Para os líderes que buscam navegar neste cenário, o caminho começa com um diagnóstico honesto da operação: onde estão as maiores ineficiências? Qual gargalo logístico ou financeiro, se resolvido para você, também seria valioso para o seu parceiro? A resposta a essas perguntas é onde residem as grandes alavancas de lucro de amanhã. O varejo do futuro não é apenas digital ou físico; é um varejo de serviços, dados e inteligência, focado em resolver problemas reais para gerar resultados extraordinários.