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Como novas alavancas de receita estão transformando o varejo

Evento da NRF mostra que 25% dos lucros dos grandes varejistas provêm de atividades além da venda de produtos, quais os segredos para essas alavancas?

Mario Meirelles

Diretor Sênior de Mercado Ads no Brasil 16 de janeiro de 2026 - 11h21

Durante apresentação da BTRVarese (com Eduardo Terra e Alberto Serrentino) no Harvard Club, em Nova York, como parte da NRF, uma estatística chamou a atenção: 25% dos lucros dos grandes varejistas provêm de atividades além da venda de produtos. O destaque não é o número em si – já que esses montantes são ainda maiores no mundo digital –, mas o fato destas iniciativas ganharem prioridade por parte desses players, fruto da mudança estrutural profunda do varejo moderno.

Serviços logísticos, marketplaces, serviços financeiros e retail media evoluíram de meros complementos do negócio para pilares independentes e altamente lucrativos — muitas vezes com margens significativamente superiores às do core business do varejo.

E o segredo desse sucesso está no fato de essas alavancas terem surgido de forma orgânica, com o objetivo de resolver “dores” reais no negócio principal: seja aumentar as vendas, melhorar a experiência do cliente, expandir o sortimento, garantir a segurança das transações ou otimizar as operações. Somente após provarem seu valor interno é que evoluíram para fontes de receita externas, criando valor para terceiros (marcas, vendedores, anunciantes) e tornando-se negócios altamente rentáveis por si sós.

Algumas das principais alavancas que redefinem o varejo são: logística, marketplace, serviços financeiros, retal state, infraestrutura tecnológica e retail media – esta última, a que mais acelera e redefine o setor. O retail media é mais um exemplo de serviço que nasceu de uma solução orgânica, quando varejistas passaram a negociar espaços premium nas prateleiras e em seus corredores promocionais (Action Alleys) para lançamentos ou queima de estoque. No mundo digital, o ativo principal mudou da prateleira física para os dados do cliente (transações + comportamento). Agora, podemos ajudar e influenciar ao longo de uma jornada completa de funil muito mais longa.

O varejo possui uma vantagem competitiva cultural: ao longo de sua história, transformou consistentemente desafios operacionais em oportunidades lucrativas. Essa mentalidade pragmática e orientada a resultados é precisamente o que permitirá ao setor realizar a transição para novas tecnologias com sucesso e rentabilidade.

Para os líderes que buscam navegar neste cenário, o caminho começa com um diagnóstico honesto da operação: onde estão as maiores ineficiências? Qual gargalo logístico ou financeiro, se resolvido para você, também seria valioso para o seu parceiro? A resposta a essas perguntas é onde residem as grandes alavancas de lucro de amanhã. O varejo do futuro não é apenas digital ou físico; é um varejo de serviços, dados e inteligência, focado em resolver problemas reais para gerar resultados extraordinários.