O que levo da NRF 2026
O maior evento de varejo do mundo acabou, mas as reflexões sobre a transformação do processo de decisão do consumidor seguem mais fortes do que nunca
A NRF terminou oficialmente no dia 12.
Mas alguns insights não acabam junto com o evento.
Eles continuam reverberando, pedindo tempo, conversa e curadoria. Especialmente agora, quando a poeira baixa e dá para enxergar além do impacto imediato das tendências.
É por isso que sigo escrevendo. E compartilhando.
Porque conhecimento compartilhado tem mais valor.
Um dos fios que mais ficaram comigo nesta edição aponta para algo maior do que varejo, tecnologia ou IA em si. Aponta para a transformação do processo de decisão do consumidor — e para como essa mudança redesenha o papel de quem influencia essas decisões.
Em um mundo cada vez mais mediado por agentes, decisões de consumo tendem a ficar mais fáceis, rápidas e automatizadas.
O que se torna raro — e valioso — é continuar escolhendo com significado.
Quando o processo de decisão do consumidor muda, o papel dos creators muda junto.
A descoberta deixa de ser um momento isolado e passa a ser um sistema contínuo de influência. A decisão não acontece mais em um único ponto. Ela se constrói ao longo do tempo, por camadas de confiança, repertório e relação.
É aqui que creators deixam de ser apenas vetores de awareness e passam a ocupar um papel muito mais estratégico. Ajudar o consumidor a interpretar o mundo, não apenas escolher um produto.
Creators atuam antes, durante e depois da decisão. Na formação de critérios. Na validação de escolhas. Na sustentação de narrativas que fazem sentido no longo prazo. Cada creator funcionando melhor em partes diferentes da jornada, do desejo à consideração, da decisão ao pós-compra.
Em um ambiente em que agentes tornam a decisão tecnicamente mais simples, o valor humano migra para outro lugar. Significado. Contexto. Julgamento. Relação.
E isso não é exclusivo do varejo. É um movimento que atravessa marcas, mídia, cultura e consumo.
A NRF acabou no calendário.
Mas os aprendizados seguem vivos.
Ainda tem muita coisa para dividir por aqui. Porque, no fim, o futuro não será decidido apenas por quem domina a tecnologia, mas por quem entende como as pessoas constroem sentido em um mundo cada vez mais mediado por máquinas.
E isso continua sendo profundamente humano.