Do clique à conversa: o que está redefinindo o varejo na era da IA
Na NRF 2026, ficou claro que a próxima transformação do varejo será conversacional, inteligente e profundamente humana
A NRF 2026, em Nova York, começou com um consenso entre executivos globais: a Inteligência Artificial deixou de ser promessa e se tornou infraestrutura estratégica do varejo. Durante o painel de abertura do evento, líderes de empresas globais destacaram que “AI-first” não é mais um conceito ou slogan, mas sim, uma arquitetura de negócio.
A partir dessa perspectiva, os primeiros dias do evento revelaram cinco grandes tendências, todas conectadas por uma mesma ideia: a reinvenção da experiência do consumidor.
1. IA como infraestrutura
Não há dúvidas de que a próxima fase do varejo está sendo construída sobre a Inteligência Artificial. As empresas de tecnologia vêm investindo há anos em arquiteturas AI-first, com infraestrutura própria, chips especializados e modelos generativos cada vez mais poderosos. Segundo o painel “The AI Platform Shift and the Opportunity Ahead for Retail”, conduzido por John Furner (CEO do Walmart) e Sundar Pichai (CEO do Google), o volume de processamento de tokens via APIs de IA do Google cresceu mais de 11 vezes, alcançando 90 trilhões. Isso mostra que a IA já faz parte do núcleo operacional das empresas, e não mais das suas áreas de experimentação.
2. Do clique à conversa
A forma de buscar e comprar está mudando. A jornada de consumo deixa de ser linear e passa a ser conversacional, contextual e personalizada. A descoberta de produtos ocorre em interações por voz, texto ou imagem, mediadas por sistemas de IA capazes de compreender intenção e contexto. O resultado é um caminho cada vez mais curto entre desejo e compra, o que leva as marcas a repensar seu papel na descoberta e na decisão do consumidor.
3. Agentes de comércio e o novo padrão de compra
Entre as tendências mais discutidas na NRF, está a ascensão dos agentes de comércio, sistemas autônomos de IA que podem pesquisar, comparar e concluir compras em nome do usuário. Essas experiências já começam a ser viabilizadas por protocolos abertos de interoperabilidade entre varejistas e plataformas tecnológicas, que reduzem atrito e aumentam conversão.
Além de ser um avanço técnico, esse movimento confirma o que a indústria de meios de pagamento já vem sinalizando: o comércio agêntico inaugura uma nova era em que as marcas deixam de disputar atenção para disputar relevância dentro de ecossistemas inteligentes.
4. Omnichannel inteligente e logística instantânea
A integração entre IA, dados e operações físicas avança em alta velocidade. Entregas por drones, estoques distribuídos e personalização em tempo real já são realidade em grandes redes de varejo. Essas soluções mostram como eficiência logística e conveniência digital podem coexistir, elevando o conceito de omnichannel a um novo patamar, mais automatizado, ágil e orientado pela experiência.
5. Inovação com propósito e responsabilidade
Governança, segurança e privacidade deixaram de ser etapas finais e passaram a integrar o próprio design dos produtos baseados em IA. As empresas que tratam a adoção da tecnologia como uma decisão estratégica de liderança (e não apenas como um projeto de TI) saem na frente. Como sintetizou um dos executivos no palco: “Coloque o cliente no centro, e o resto virá como consequência.”
6- O papel dos pagamentos nessa nova era
A NRF 2026 reforçou que pagamentos são parte central da experiência de compra, não apenas o fim da jornada, mas o ponto de conexão entre fluidez, confiança e conversão. Esse movimento é visível no Brasil, hoje um dos mercados mais digitalizados do mundo: mais de 60% das transações já são eletrônicas, e a combinação entre infraestrutura, inovação e colaboração fez do país uma referência global em digitalização do consumo.
Esse também é o impulso que tem levado empresas do setor de meios de pagamento, como a Visa, a desenvolver tecnologias que antecipam essa nova fase do varejo, da IA aplicada à prevenção de fraudes à tokenização e às experiências sem atrito, pilares de um ecossistema de pagamentos mais fluido, seguro e inteligente.
O futuro do varejo é conversacional, automatizado e personalizado, mas, acima de tudo, é humano. À medida que IA, dados e pagamentos se unem em um mesmo fluxo, a confiança se consolida como o verdadeiro ativo das marcas.
A NRF 2026 mostrou que tecnologia já não é diferencial. É fundamento. O que separa líderes de seguidores, daqui em diante, será a capacidade de usar a inovação para criar valor real nas relações entre marcas e pessoas