O novo delta do comportamento humano e as oportunidades no horizonte
Até 2028, marcas e consumidores estarão inseridos em um território instável, onde sistemas antigos e emergentes coexistem
Na palestra “Grandes ideias 2028: propulsores e inovações”, apresentada por Cassandra Napoli, da WGSN, o futuro é apresentado não como uma linha de chegada, mas como um estado permanente de transição. Até 2028, marcas e consumidores estarão inseridos em um território instável, o delta, onde sistemas antigos e emergentes coexistem.
Esse delta simboliza o encontro entre forças opostas: humano e artificial, polarização e pertencimento, colapso e renovação. É nesse espaço de tensão que surgem as maiores oportunidades de crescimento, inovação e relevância.
O que muda no comportamento até 2028
A principal virada é a crise de confiança. Em um cenário de instabilidade social, tecnológica e ambiental, promessas deixam de sustentar valor. A credibilidade passa a ser construída por meio de provas concretas, consistência e entregas verificáveis.
Três movimentos estruturais definem o período:
• Prova substitui promessa como base da confiança.
• Interesses e contextos superam demografias como leitura decomportamento.
• O diferencial humano se consolida como ativo estratégico real.
Essas mudanças são impulsionadas por forças interligadas da sociedade, tecnologia, meio ambiente, política, indústria e criatividade, que moldam novas expectativas de consumo e relação com as marcas.
IA cotidiana: quando a tecnologia vira infraestrutura
Em 2028, a inteligência artificial deixa de ser novidade e passa a operar como infraestrutura invisível do dia a dia. O valor não está na automação em si, mas na capacidade de ampliar habilidades humanas: criatividade, empatia, julgamento e cuidado.
No marketing e no e-commerce, essa transformação redefine a lógica de descoberta: o SEO tradicional dá lugar ao GEO (otimização para mecanismos generativos). Marcas precisam ser “encontráveis” e confiáveis dentro das respostas de IA, entregando clareza, contexto e utilidade real. O risco central não é tecnológico, mas emocional. Consumidores reconhecem e rejeitam experiências genéricas, automatizadas e sem intenção humana clara.
Confiança em colapso exige fatos, não discurso
A WGSN reforça que a confiança será o maior limitador do crescimento até 2028 e a transparência deixa de ser diferencial e se torna requisito mínimo, especialmente no uso de IA, nas práticas ambientais e nas narrativas de propósito. Marcas relevantes serão aquelas que demonstram resultados, explicam seus processos e constroem reputação na consistência cotidiana — não no marketing performático.
Despertar sensorial: o corpo volta ao centro
Em um mundo saturado de estímulos digitais, o sensorial emerge como estratégia de valor. Até 2028, a tangibilidade passa a ser sinal de qualidade, esforço humano e confiança. Isso se traduz em experiências físicas mais ricas e memoráveis; produtos pensados para durar, reparar e circular; valorização do artesanal como prova de trabalho humano; e crescimento de soluções ligadas a descanso, sono e autocuidado.Mais do que vender produtos, marcas passam a oferecer pausas sensoriais, pequenos antídotos para a fadiga digital.
Identidades plurais e propósito em um mundo instável
Segmentações tradicionais perdem força e o comportamento passa a ser guiado por interesses específicos, valores e contextos de vida, não por recortes demográficos amplos. O propósito também se transforma: deixa de ser bandeira e passa a ser orientação prática. Em um cenário caótico, marcas relevantes são aquelas que ajudam as pessoas a navegar, oferecendo clareza, pertencimento e significado.
A provocação final
O futuro não será estável, mas será fértil. Vencer no novo delta exige aceitar a instabilidade, investir no humano, usar tecnologia com intenção e transformar incerteza em vantagem competitiva. Até 2028, não prospera quem promete mais, e sim quem entrega melhor, constrói confiança e cria experiências com sentido real.