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O varejo como força estabilizadora

Como a integração entre inteligência humana e artificial reposiciona o varejo alimentar como um ponto de equilíbrio no cotidiano do consumidor

Manoel Martins

Vice-presidente de Mercado Brasil e Marketing da MBRF 16 de janeiro de 2026 - 14h51

A NRF de 2026 reforçou um papel essencial do varejo alimentar: o de organizar e simplificar a vida cotidiana. Ao estar presente antes, durante e depois da compra, o varejo ajuda o consumidor a planejar, decidir e manter suas rotinas com mais previsibilidade. Em um ambiente de mudanças constantes, essa capacidade de reduzir fricções e facilitar escolhas transforma a categoria em uma força estabilizadora do cotidiano.

Esse papel se fortalece à medida que o setor passa por transformações estruturais significativas. Os últimos anos mostraram que a inovação não acontece em momentos ideais e sim avança junto da operação. Entre os principais insights do terceiro dia de evento, ficou evidente que o futuro do varejo alimentar será moldado por experiências cada vez mais rápidas, intuitivas e personalizadas, com a Inteligência Artificial assumindo um papel central na evolução dos modelos de negócio, como destacado por Sundar Pichai, CEO do Google e da Alphabet em sua apresentação e posteriormente discutido por Sundar e John Furner, presidente e CEO do Walmart nos EUA.

Para a categoria essa integração permite escalar eficiência sem romper a proximidade com o consumidor. Neste cenário, a Inteligência Artificial atua desde análises de demanda e gestão de sortimento até a personalização da experiência, apoiando decisões simples do dia a dia, como a escolha de produtos mais adequados às necessidades individuais por meio de ferramentas como Chatbots — cada vez mais personalizados e conectados com os usuários. Dessa forma, ao reduzir fricções e aumentar a relevância, o varejo reforça seu papel estabilizador tornando a jornada de compras mais fluida, previsível e confiável.

O verdadeiro diferencial está na capacidade de manter autenticidade e diálogo constante em um ambiente de mudanças rápidas. O uso de IA potencializa, porém não substitui a criatividade humana ao viabilizar experiências mais personalizadas, relevantes e contextuais. Marcas que conseguem combinar tecnologia com humanização estarão mais bem posicionadas para atender às novas expectativas do público, criando conexões genuínas e relações de longo prazo.

O futuro do varejo alimentar, portanto, não depende apenas da compra e venda de produtos, mas da construção de plataformas de relacionamento, serviços e valor contínuo. Valor que nasce da atenção, do tempo e da confiança do consumidor. E ele será moldado coletivamente, pela integração entre inteligência humana e artificial, pela coragem de executar e pela responsabilidade de seguir sendo um ponto de equilíbrio na vida das pessoas.