Ryan Reynolds na NRF 2026
Quando humor, autenticidade e velocidade viram estratégia de marca
A palestra de Ryan Reynolds na NRF 2026 foi, ao mesmo tempo, divertida, provocadora e profundamente estratégica. Longe de fórmulas prontas ou discursos inflados, Reynolds mostrou, com humor afiado e uma boa dose de autocrítica, como autenticidade, timing cultural e envolvimento pessoal podem construir marcas relevantes em um mercado saturado de mensagens artificiais.
Mais do que contar cases famosos, ele escancarou o processo: erros, apostas rápidas, ideias simples e uma convicção clara de que pessoas se conectam com pessoas, não com slogans vazios.
Autenticidade como ativo (não como discurso)
Logo no início, Ryan quebrou o gelo agradecendo à Neosha e brincando com pequenos imprevistos do palco. Parece detalhe, mas ali estava a primeira lição: autenticidade não é um conceito aspiracional, é prática cotidiana.
Ele contou que nunca construiu marcas tentando parecer maior, mais sofisticado ou mais “corporate” do que realmente era. Pelo contrário: assumiu falhas, riu de si mesmo e usou o humor como ponte emocional. Para Reynolds, compartilhar fracassos, o que ele chama de “fracassos nobres”, cria confiança real e fortalece a base criativa de qualquer negócio.
Fastvertising: velocidade cultural como vantagem competitiva
Um dos momentos mais comentados da palestra foi quando ele explicou o conceito de fastvertising: campanhas rápidas, culturalmente conectadas e executadas com timing quase em tempo real. O exemplo do anúncio da Peloton para a Aviation Gin é emblemático. Uma resposta criativa, simples, barata e extremamente rápida a um acontecimento cultural, que gerou repercussão global. A mensagem é direta: não é o orçamento que gera impacto, é a leitura de contexto somada à agilidade de execução.Ryan reforça que, muitas vezes, as melhores ideias surgem quando ele não tenta ser o protagonista — e sim quando dá espaço para o insight certo aparecer no momento certo.
Wrexham AFC: comunidade antes de escala
O case do Wrexham AFC, comprado por Ryan Reynolds e Rob McElhenney, trouxe uma das reflexões mais poderosas da palestra. Ao transformar a história do clube em uma série documental, eles não venderam futebol, venderam pertencimento, orgulho local e narrativa humana.
Reynolds destacou que “existem Wrexhams em todos os lugares”: comunidades com histórias fortes, pouco orçamento e enorme potencial de conexão. O resultado foi um impacto que ultrapassou o esporte, atraindo patrocinadores globais e criando valor real a partir de uma base local.
Fracasso, paixão e envolvimento pessoal
Nem tudo deu certo e Ryan fez questão de contar. O case do cereal Sugar Panda foi citado como um exemplo claro de algo que não funcionou. Ainda assim, ele defende que errar faz parte do processo criativo saudável.
O ponto-chave, segundo ele, é a paixão genuína. Os projetos mais bem-sucedidos surgem quando há envolvimento pessoal, cuidado com os detalhes e vontade real de construir algo, como por exemplo, aconteceu com Deadpool, onde o carinho pelo personagem foi tão importante quanto qualquer estratégia de marketing.
Conexão humana no centro dos negócios
Talvez a mensagem mais forte da palestra tenha sido a mais simples: negócios são relações humanas. Reynolds defende comunicação direta, proximidade e investimento emocional — não financeiro — como os principais motores de lealdade. Pequenas interações, gestos genuínos e conversas honestas criam vínculos muito mais duradouros do que campanhas milionárias desconectadas da realidade.
Ryan encerrou sua fala com conselhos práticos que resumem bem sua visão: aceite o fracasso como parte essencial da criatividade; lidere com autenticidade, não com autopromoção; siga suas paixões, elas geram produtos mais verdadeiros e construa conexões humanas, antes de construir discursos.
A grande lição deixada por Ryan Reynolds na NRF 2026 é clara: em um mercado barulhento, humor, verdade e velocidade cultural valem mais do que qualquer orçamento. Marcas que entendem pessoas, e não apenas métricas, constroem relevância, afeto e resultados de longo prazo.
E, no fim, talvez a estratégia mais sofisticada seja justamente essa: ser humano de verdade.