Setores mais e menos resilientes do varejo em 2026
Especialistas analisam quais setores do comércio brasileiro entram mais e menos pressionados neste ano

Segmentos de primeira necessidade devem ser mais resilientes em 2026 (Crédito: Nodar Chernishev/Shutterstock)
Diante de uma série de incertezas econômicas, o varejo brasileiro deve enfrentar uma série de desafios neste ano. “No Brasil, todo o varejo está com dificuldades. 95% pelo menos”, enfatiza o professor da FGV e gerente de varejo da Strong Business School (SBS), Ulysses Reis.
No entanto, alguns setores devem enfrentar maiores obstáculos do que outros. O segmento de bens duráveis e semiduráveis, cuja compra pode ser postergada, como eletrodomésticos, móveis, eletrônicos, materiais de construção, moda e calçados, tende a apresentar resultados mais amenos em 2026.
O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), Claudio Felisoni de Angelo, explica que isso acontece por são setores que dependem fortemente de crédito em um momento em que as taxas de juros seguem elevadas, apesar de haver uma sinalização de retração mais adiante.
Além disso, ele destaca que o varejo puramente digital sofre com os fretes mais caros e menor tolerância a prazos longos e que requer mais eficiência. No segmento da moda, outro obstáculo é a competição global intensa e a maior sensibilidade do consumidor ao preço.
A força do essencial
Por outro lado, em um momento conturbado como o de 2026, setores que se mostram mais resilientes são aqueles de primeira necessidade, como alimentos, farmácia, pet e artigos pessoais. “Alimentos poderá manter um desempenho semelhante a 2025. E, provavelmente, farma, artigos pessoais, pets, vão continuar crescendo em torno de dois dígitos”, adianta Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).
Nessa toada, o atacarejo deve continuar crescimento, inclusive entre consumidores de renda média, muito em relação a pressão sobre a massa de rendimentos em função das questões de perda de poder aquisitivo, conforme observa Felisoni.
Reis destaca ainda que os supermercados se tornam o refúgio do consumo nesses momentos. “Quando a economia vai mal, as pessoas passam a comprar mais nos supermercados do que em lojas especializadas ou outros canais de venda”, complementa.