Como navegar num mundo que será inundado de deepfakes

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Opinião

Como navegar num mundo que será inundado de deepfakes

Em até cinco anos, NINGUÉM vai confiar em uma única peça de vídeo na internet, mas tem uma solução


8 de dezembro de 2023 - 6h00

Saiu uma notícia que o Luciano Huck vai processar o X, antigo Twitter, por perfis postando uma imagem falsa dele sendo preso. O texto dizia: “Sensacional escândalo atingiu os brasileiros; Luciano Huck; o que lhe aconteceu realmente depois de as câmaras se desligarem”.

Na imagem, a cabeça do apresentador é colocada em um corpo algemado que veste um uniforme de presidiário com listras verdes. Não se sabe se foi feita com uma foto de verdade ou AI. Vivemos numa era em que acreditar é automático. As fake news se beneficiam da nossa facilidade de acreditar. Somos leitores de manchete, rola um click-bait bem feito e já saímos acreditando.

Outro dia, uma pessoa daquelas que você sabe que nunca cairia em fake news me mandou um artigo jurando que um cientista da Colgate teria descoberto a cura do Coronavírus através da pasta de dente. Tinha jeito de verdade, foto de verdade e nome do cientista de verdade.

Mas e se, daqui a pouco, essa confiança desaparecer?

O deep fake, que é onde a IA faz alguém dizer coisas que nunca disse, com total realismo, será usado em escala nunca vista antes. Nunca foi tão fácil fazer vídeo botando palavra na boca de alguém, sem que as pessoas tenham capacidade de distinguir se é verdade ou não. Só que com essa ascensão dos deep fakes, acreditar em qualquer coisa pode se tornar uma relíquia do passado.

O mundo será inundado de deep fake. Fake news não serão mais a exceção. Serão a regra. E aí que o jogo vira. Diferente de hoje, a premissa vai ser desconfiar automaticamente antes de aceitar como verdade. Teremos uma INFLAÇÃO de deep fake. O deep fake vai ser tão banal, que a primeira palavra será “DUVIDO”.

Qual pode ser a solução? Blockchain.

Passado o hype todo do blockchain, ele vai servir como um cartório dos vídeos. Vai ser a resposta para validar a autenticidade de cada vídeo. De marcas e de pessoas. Qualquer pedaço de vídeo será postado antes na blockchain para depois ir para as plataformas, para confirmar que são reais.

Para quem não sabe o que é blockchain, vou tentar explicar aqui como eu expliquei para o meu filho de 5 anos. Imagine que o YouTube é como uma grande festa de crianças onde todos querem compartilhar seus vídeos legais. Agora, o blockchain seria como um álbum de fotos especial onde cada vez que alguém posta um vídeo novo, todos na festa concordam que é legítimo, e o adicionam ao álbum.

O legal é que, uma vez que o vídeo está no álbum (ou blockchain), ninguém pode apagar ou mudar o que foi postado. Assim, todos na festa podem ter confiança de que os vídeos no álbum são os originais e ninguém conseguiu trapacear.

Com deep fakes em alta, a confiança em vídeos online será insustentável. O blockchain age como salvaguarda, validando conteúdos como um cartório infalível. Adotar essa tecnologia é essencial para encarar o futuro digital com desconfiança, protegendo a integridade online.

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