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Opinião

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Em uma empresa pós-modernista, a gestão é caracterizada pela colaboração e pela responsabilidade compartilhada, com equipes formadas por profissionais de diferentes áreas


10 de julho de 2024 - 14h00

A evolução das estruturas empresariais ao longo das últimas décadas reflete uma profunda transformação nos valores e práticas organizacionais, que nos conduz de um mundo vertical e hierárquico a um mundo horizontal e colaborativo.

Na era moderna, a estrutura hierárquica era vista como fundamental para garantir eficiência e controle. Dois de seus maiores pensadores, Max Weber e Frederick Taylor, que apesar de terem concebido suas teorias antes do auge do modernismo influenciaram significativamente a evolução das práticas de gestão que caracterizaram a era moderna. Weber, destacando a burocracia como a forma mais racional de organizar a atividade humana, enfatizando a importância da divisão de trabalho e da autoridade centralizada e Taylor reforçando essa visão ao promover a padronização e a disciplina como essenciais para aumentar a produtividade.

Contudo, a transição para um mundo pós-modernista trouxe uma reconfiguração significativa desses valores. A rigidez da hierarquia começou a dar lugar a uma abordagem mais horizontal, onde a colaboração e a diversidade tornaram-se os novos pilares. Peter Drucker destacou a importância das equipes autogeridas e da valorização da contribuição de todos os membros para a inovação, argumentando que a comunicação aberta e a participação de todos são essenciais para o sucesso organizacional em um ambiente de constante mudança.

Tom Peters enfatizou que as organizações devem ser flexíveis e prontas para se adaptar rapidamente às mudanças e argumentou que a inovação surge de um ambiente onde a flexibilidade e a disposição para assumir riscos são incentivadas.

Jorge Forbes, em seus estudos sobre a pós-modernidade, enfatizou a importância da subjetividade e singularidade na gestão contemporânea. Forbes argumenta que a liderança pós-moderna deve valorizar a flexibilidade, a capacidade de lidar com incertezas e a promoção de um ambiente onde a diversidade e a criatividade possam florescer.

Em uma empresa pós-modernista, a gestão é caracterizada pela colaboração e pela responsabilidade compartilhada. As equipes são formadas por profissionais de diferentes áreas, cada um trazendo sua expertise para a mesa. Essa diversidade de habilidades e perspectivas permite que a equipe aborde problemas de maneira mais abrangente e inovadora. Porém essa estrutura faz com que o papel da chefia seja desafiador e passe de um modelo de comando e controle para um de facilitação e suporte. O líder pós-modernista facilita a comunicação e a colaboração entre os membros da equipe, garantindo que todos tenham as ferramentas e o suporte necessários para contribuir efetivamente. Além disso, líderes atuam como mentores, ajudando os membros da equipe a desenvolverem suas habilidades e a alcançar seu potencial, fornecendo orientação e feedback construtivo, promovendo um ambiente de aprendizado contínuo. Eles também trabalham para identificar e remover obstáculos que possam impedir o progresso da equipe, resolvendo conflitos, fornecendo recursos adicionais ou ajustando prioridades conforme necessário.

Finalmente, a chefia incentiva a autonomia, permitindo que a equipe tome decisões e assuma a responsabilidade por seus resultados, o que aumenta o engajamento e a motivação, levando a uma maior inovação e eficiência.

Devemos aprender a viver neste novo mundo. Precisamos nos desapegar da força da hierarquia, dos prazeres fúteis do comando e da subserviência. O mundo pós-modernista nos chama a valorizar a colaboração, a diversidade e a flexibilidade, criando ambientes onde todos possam contribuir de maneira significativa e inovadora. A liderança, nesse contexto, não se trata de controlar, mas de capacitar os outros a alcançarem seu melhor, garantindo que a responsabilidade e o sucesso sejam realmente compartilhados por todos.

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