A arte de falar em público

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Opinião

A arte de falar em público

Será possível ter uma carreira de sucesso sem o dom da oratória? Nos negócios, não. No futebol, sim.


2 de fevereiro de 2017 - 8h44

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crédito: Vege/Fotolia

Fazer apresentações ou discursos é uma experiência aterrorizante para a maioria das pessoas. Muitos as temem mais do que à morte, dizem as pesquisas. Mas será possível ter uma carreira de sucesso sem dominar esta arte?

Com raras exceções, a resposta é não. Todo executivo precisa saber se comunicar bem em público para avançar profissionalmente. Apresentar-se bem e saber articular suas ideias é essencial para demonstrar seu conhecimento e garantir a confiança dos executivos sêniores.

Mas há uma profissão que desafia a regra: os jogadores de futebol.

Há alguns dias assisti duas aulas de como falar em público. Ambas aconteceram em Zurique, na entrega do novo Oscar do futebol organizado pela Fifa.

A primeira, foi perfeita.

A americana Carli Lloyd foi eleita a melhor jogadora do mundo em 2016. Ela subiu ao palco e, sem ler nenhuma cola, fez um ótimo discurso. Elogiou as outras duas finalistas, a alemã Melanie Behringer e a brasileira Marta, agradeceu as companheiras de seleção, os técnicos, preparadores e o marido. Foi humilde em dizer que quer melhorar para ajudar ainda mais seu time. Agradeceu também ao presidente da Federação Americana de Futebol e a Fifa pelo prêmio. Carli falou com calma, sem erros nem gaguejos. Apesar de dizer que não esperava ganhar, estava evidentemente preparada para o momento.

Para ver o discurso, clique aqui.

A segunda, nem tanto.

Todos sabiam que Cristiano Ronaldo ganharia, inclusive o próprio. Depois de levar todos os prêmios do ano na Europa, a vitória no novo evento da Fifa era certa. Mas CR7 mostrou ao mundo como falar em público é irrelevante na sua profissão.

Falando em bom português, começou dizendo que ainda não havia ganho este troféu, que é dado pela primeira vez. Até lembrou de agradecer aos companheiros e treinadores. Mas falar dos outros não é realmente seu forte. Disse que depois do ano que teve tinha certeza que seria eleito o jogador do ano. Para fechar, criticou a ausência do seu arquirrival Messi, que não compareceu à cerimônia.

Para ver o discurso, clique aqui.

Apesar de se expressar com a fluência de um garoto de sexta série, Cristiano Ronaldo é o maior fenômeno do marketing esportivo no mundo. Ganha US$ 32 milhões por ano em patrocínios, tem o contrato mais caro que a Nike já assinou com um atleta em qualquer esporte. Ninguém representa tantas marcas quanto o Bola de Ouro. Algumas das categorias são tão estranhas que é difícil saber se são verdade ou apenas mais uma das pegadinhas do Ronaldo.

Aqui estão as minhas favoritas:

O cobertor do Cristiano Ronaldo: você que sempre quis dormir com o CR7 agora tem uma solução. Um cobertor (que vem em cinco modelos) com seu logo ou a foto gigante do melhor jogador do mundo. Seus amigos (as) vão morrer de inveja!

O selfie do Cristiano Ronaldo: agora você pode tirar selfies com o CR7 em diferentes ambientes. Baixe o aplicativo do Ronaldo, tire sua foto sozinho(a) e pronto. O aplicativo coloca a sua imagem com a do seu ídolo em diferentes cenários e situações. Pronto para postar nas mídias sociais. Seus amigos vão achar que vocês estão juntos o tempo todo.

Facial Fitness Pao Smile Trainer, o fitness facial do Cristiano Ronaldo: especialmente desenhado para o mercado japonês, este equipamento promete exercitar os músculos do rosto e melhorar o seu sorriso (para os selfies?).

Está mais do que provado que as empresas não se importam tanto assim com a sua desenvoltura como apresentador.

Se você não é um jogar(a) de futebol, sugiro preparar-se um pouco mais que Cristiano Ronaldo para a sua próxima apresentação. O mundo coorporativo não é tão flexível quanto o dos esportes.

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