Marcas relevantes não falam sozinhas: dialogam com a sociedade
Ao transformar valores sociais em decisões concretas, empresas ampliam seu papel público, fortalecem confiança e constroem significado além da lógica comercial
Muito se fala que propósito não pode ser apenas uma frase bonita pendurada na parede. Ele precisa ser vivido na prática, refletido em decisões, estratégias e ações, já que é a razão de uma marca existir, sua essência. Quando uma organização traduz seu propósito em experiências reais, constrói relevância e confiança.
Para que propósito seja mais do que discurso, é preciso compreender o que ele significa para as pessoas, de modo a orientar as decisões e estratégia das empresas. Foi com essa visão que fomos para as ruas de todo Brasil pesquisar o que significa prosperidade para as pessoas, conceito que está no centro do nosso propósito. Fugindo do senso comum que associa prosperidade apenas ao dinheiro, lançamos uma pesquisa inédita com o Datafolha, intitulada “O que é prosperidade para os brasileiros”.
E ao perguntar ao Brasil o que significa prosperar, a resposta não veio em cifras. Veio em palavras, como: qualificação profissional, bem-estar, tempo de qualidade com a família e amigos. Para as pessoas, prosperidade é ter acesso à saúde e à educação de qualidade, sendo um conceito multifatorial entendido por meio de quatro dimensões: econômica, psicológica, espiritual e social. É menos sobre ter e mais sobre pertencer, sendo o dinheiro um meio para alcançar prosperidade, não um fim.
Essas respostas revelam um ponto essencial: quando uma marca se dispõe a compreender valores que orientam a sociedade, ela ultrapassa a lógica comercial e assume um papel ativo na construção de significado e no diálogo social.
Esse movimento não é isolado. Diversas marcas realizam estudos que exploram temas como sustentabilidade, diversidade e qualidade de vida. A Natura, por exemplo, anunciou, em 2025, um estudo para compreender o impacto das alterações ambientais sobre o bem-estar e a saúde mental dos brasileiros. Já a TV Globo recentemente lançou pesquisa para apresentar o retrato dos brasileiros, intitulada “Brasil no Espelho”, revelando valores, crenças e medos da população.
Mas por que realizar pesquisas que extrapolam a própria marca é tão importante para as empresas? Iniciativas como essas conectam as marcas à sociedade, fortalecem reputação e posicionam instituições como agentes relevantes no debate público.
Ao buscar compreender conceitos amplos e participar de discussões com relevância social, as marcas demonstram compromisso com o diálogo e a transparência. Além disso, as pesquisas e os estudos de comportamento revelam sinais do presente e antecipam tendências que orientam decisões e fortalecem estratégias para o futuro. Nesse contexto, uma visão ampla e colaborativa tem mais valor do que um olhar voltado apenas para si. É assim que propósito deixa de ser discurso e se torna prática.
Relevância não se constrói apenas com produtos ou campanhas, mas com impacto cultural e social, com troca. No fim, propósito não é um acessório da marca, mas seu núcleo. Ser autêntico, gerar impacto e assumir um papel ativo na sociedade: esse é o caminho para marcas que buscam se consolidar com relevância e confiança em um mundo com consumidores cada vez mais guiados por valores.