Opinião

Marcas relevantes não falam sozinhas: dialogam com a sociedade

Ao transformar valores sociais em decisões concretas, empresas ampliam seu papel público, fortalecem confiança e constroem significado além da lógica comercial

João Clark

Superintendente de Marketing & Growth do Sicredi 29 de janeiro de 2026 - 7h00

Muito se fala que propósito não pode ser apenas uma frase bonita pendurada na parede. Ele precisa ser vivido na prática, refletido em decisões, estratégias e ações, já que é a razão de uma marca existir, sua essência. Quando uma organização traduz seu propósito em experiências reais, constrói relevância e confiança.

Para que propósito seja mais do que discurso, é preciso compreender o que ele significa para as pessoas, de modo a orientar as decisões e estratégia das empresas. Foi com essa visão que fomos para as ruas de todo Brasil pesquisar o que significa prosperidade para as pessoas, conceito que está no centro do nosso propósito. Fugindo do senso comum que associa prosperidade apenas ao dinheiro, lançamos uma pesquisa inédita com o Datafolha, intitulada “O que é prosperidade para os brasileiros”.

E ao perguntar ao Brasil o que significa prosperar, a resposta não veio em cifras. Veio em palavras, como: qualificação profissional, bem-estar, tempo de qualidade com a família e amigos. Para as pessoas, prosperidade é ter acesso à saúde e à educação de qualidade, sendo um conceito multifatorial entendido por meio de quatro dimensões: econômica, psicológica, espiritual e social. É menos sobre ter e mais sobre pertencer, sendo o dinheiro um meio para alcançar prosperidade, não um fim.

Essas respostas revelam um ponto essencial: quando uma marca se dispõe a compreender valores que orientam a sociedade, ela ultrapassa a lógica comercial e assume um papel ativo na construção de significado e no diálogo social.

Esse movimento não é isolado. Diversas marcas realizam estudos que exploram temas como sustentabilidade, diversidade e qualidade de vida. A Natura, por exemplo, anunciou, em 2025, um estudo para compreender o impacto das alterações ambientais sobre o bem-estar e a saúde mental dos brasileiros. Já a TV Globo recentemente lançou pesquisa para apresentar o retrato dos brasileiros, intitulada “Brasil no Espelho”, revelando valores, crenças e medos da população.

Mas por que realizar pesquisas que extrapolam a própria marca é tão importante para as empresas? Iniciativas como essas conectam as marcas à sociedade, fortalecem reputação e posicionam instituições como agentes relevantes no debate público.

Ao buscar compreender conceitos amplos e participar de discussões com relevância social, as marcas demonstram compromisso com o diálogo e a transparência. Além disso, as pesquisas e os estudos de comportamento revelam sinais do presente e antecipam tendências que orientam decisões e fortalecem estratégias para o futuro. Nesse contexto, uma visão ampla e colaborativa tem mais valor do que um olhar voltado apenas para si. É assim que propósito deixa de ser discurso e se torna prática.

Relevância não se constrói apenas com produtos ou campanhas, mas com impacto cultural e social, com troca. No fim, propósito não é um acessório da marca, mas seu núcleo. Ser autêntico, gerar impacto e assumir um papel ativo na sociedade: esse é o caminho para marcas que buscam se consolidar com relevância e confiança em um mundo com consumidores cada vez mais guiados por valores.