Opinião

O entretenimento mundial disputa atenção e o Brasil aprendeu a sustentá-la

Como o engajamento cultural, a maturidade de audiência e a capacidade de produção transformaram o país em um ativo estratégico no mercado global

Amanda Caliari

Sócia-fundadora e CCO (Chief Creative Officer) do Grupo Chango 28 de janeiro de 2026 - 6h00

Quando olhamos para o que está acontecendo no Brasil nos últimos meses, é possível perceber uma mudança de direção na indústria global do entretenimento. Uma virada que não é sobre moda passageira, muito menos sobre coincidências. É sobre estratégia, timing e, principalmente, leitura cultural. Isso porque o mundo do entretenimento sempre buscou algo vibrante, plural e capaz de gerar conversa real. E o Brasil, hoje, entrega exatamente isso: um país jovem, conectado, com uma diversidade que poucos mercados conseguem oferecer, uma cena criativa acelerada e uma audiência que responde rápido. Isso tem peso. Isso muda a rota de lançamento.

É por isso que estamos vendo estreias globais acontecendo aqui, elencos internacionais vindo – e aproveitando – o nosso país, artistas trazendo turnês completas, plataformas escolhendo o Brasil como ponto de contato direto com o público. Quando esse movimento se repete, não é acaso, é o que chamamos de maturidade de mercado. Mas há um diferencial que ajuda a explicar o porquê o Brasil se consolida nesse papel, aprendemos a sustentar a atenção. Não somos mais um país onde tudo acontece uma vez e desaparece. Hoje existe comunidade, continuidade e um público engajado que acompanha, comenta, cria conteúdo, movimenta hashtags e transforma qualquer evento em uma narrativa maior. Para qualquer marca internacional, isso é ouro.

Existe também um fator emocional que pouca gente percebe: o Brasil entrega energia. Os eventos daqui têm vida, volume humano e espontaneidade. Essa atmosfera não se replica em qualquer lugar do mundo. Para lançamentos, isso é determinante. E, olhando de maneira mais ampla, o que está acontecendo é simples: o Brasil se tornou um lugar onde as histórias funcionam. Funciona para série, filme, música, moda e creators. Funciona porque existe um público gigante disposto a participar e não só de assistir. Esse comportamento é exatamente o que o mercado global procura hoje.

Há também um ponto técnico importante: o custo de operação no Brasil continua competitivo, ao mesmo tempo em que a qualidade de produção cresceu absurdamente. A distância entre o “padrão Brasil” e o “padrão global” diminuiu muito. Isso faz o país deixar de ser um território apenas promocional e virar território de produção, gravação e estreia. Talvez o convite que esse momento faça seja outro: olhar com mais cuidado para quem constrói tudo isso aqui dentro. O setor criativo, cultural e de entretenimento no Brasil é feito por pessoas muito preparadas, sensíveis e extremamente comprometidas. Valorizar esse trabalho é reconhecer esforço, trajetória e impacto, não só como discurso, mas como prática. Isso abre um cenário muito potente.

Quando o país vira rota estratégica, ele também vira laboratório. As marcas passam a testar linguagens, formatos, campanhas e ativações primeiro por aqui, para depois escalar, o que muda completamente o papel do Brasil dentro da cadeia global. Quando falamos do aumento de premieres, turnês, eventos comemorativos, ativações e grandes nomes vindo para cá, falamos de um Brasil que deixou de ser coadjuvante e passou a ser protagonista da agenda cultural do entretenimento. E esse protagonismo não é temporário. É construção. É leitura de cultura. E, acima de tudo, resultado do que somos capazes de movimentar.