Duas metas bem escolhidas valem mais do que uma lista esquecida
Enquanto o início do ano costuma gerar uma série de resoluções, estudos mostram que o cérebro responde melhor a foco, clareza e constância
Janeiro costuma chegar com a promessa de um “novo eu”. Academia cinco vezes por semana, uma pilha de livros na cabeceira, cursos, hábitos, projetos, planos. A sensação é de que, se não mudar tudo de uma vez, o ano começa incompleto. Mas a ciência do comportamento aponta na direção oposta: para transformar de verdade, é preciso simplificar.
Pesquisas mostram que tentar alterar muitos hábitos ao mesmo tempo aumenta a chance de frustração e abandono. Um estudo publicado no Journal of Consumer Research indica que planos de ação funcionam melhor quando aplicados a uma meta por vez e perdem força diante de objetivos múltiplos. O cérebro não foi desenhado para multitarefas profundas. Ele responde melhor a foco, clareza e constância. Em outras palavras: duas metas bem escolhidas valem mais do que uma lista esquecida.
Neurocientistas explicam que os recursos cognitivos e emocionais são limitados e precisam ser usados com estratégia. Quando se tenta abraçar tudo, a tendência é priorizar o mais fácil, adiar o que exige esforço real e, no caminho, acumular frustração e a sensação de fracasso.
E se 2026 fosse o ano de escolher, com intenção, o que realmente importa?
Aposta pessoal: duas metas transformadoras, conectadas a propósito, bem-estar e impacto concreto. A primeira é cuidar da saúde com leveza e consistência, não como obrigação, mas como escolha por autonomia, energia e longevidade. Entre basquete, kung fu, corrida ou dança, a ideia é movimentar o corpo, cuidar das emoções e celebrar pequenas vitórias ao lado de quem inspira.
A segunda é consolidar a carreira de facilitadora de conversas difíceis, tornando o trabalho mais visível, autoral e financeiramente sustentável. A proposta é dar forma, linguagem e estrutura a uma prática que ainda está em construção no Brasil, mas que, em contextos internacionais, já conta com padrões profissionais consolidados e reconhecimento estratégico. Nesses ambientes, a facilitação é parte essencial da governança colaborativa, da tomada de decisões complexas e da inovação em equipe, com modelos claros de remuneração, trajetórias de carreira e indicadores de impacto.
Menos metas. Mais direção. Mais coerência entre quem se é e quem se quer ser.
Para quem começa o ano com uma folha em branco, fica a provocação: escolha duas metas, pessoais ou profissionais, que sejam grandes o suficiente para mobilizar e específicas o bastante para orientar decisões. Algumas estratégias ajudam a transformar intenção em movimento:
• Identifique onde uma mudança faria mais diferença. Saúde, trabalho, finanças, relações, aprendizado ou sentido de vida. Onde um avanço pode redesenhar o todo?
• Traduza ambição em ação concreta. Troque “ser mais saudável” por “correr 5 km até março” ou “dormir sete horas por noite”.
• Divida o caminho em marcos pequenos. Progresso nasce da regularidade. Pequenas vitórias sustentam a motivação.
• Acompanhe o que está acontecendo. Um aplicativo, um caderno ou uma planilha já aumentam, e muito, a chance de seguir adiante.
• Compartilhe com alguém de confiança. Apoio e compromisso caminham juntos.
• Proteja o foco. Ideias novas vão surgir. Nem todas merecem virar prioridade.
• Ajuste sem abandonar. Flexibilidade faz parte do processo. Desistir, não.
• Crie rituais de intenção. Uma frase na tela, um lembrete no espelho, uma pergunta diária: o que me aproxima da minha meta hoje?
Em 2026, talvez a maior inovação pessoal seja trocar quantidade por qualidade. Escolher menos. Sustentar mais. E, com isso, construir mudanças que não duram só até fevereiro, mas atravessam o ano inteiro.
Feliz meta nova. Feliz ano que começa com direção.