O labirinto invisível da nova jornada do consumidor
O fim da previsibilidade e o nascimento de uma performance guiada pelo comportamento real
Durante muito tempo, acreditamos que o comportamento de compra seguia uma linha reta, marcada por atenção, consideração e conversão. Um funil simples, previsível, desenhado em etapas, mas esse modelo se rompeu. A jornada do consumidor deixou de ser um caminho e virou um labirinto, vivo, fragmentado, imprevisível.
Vivemos uma era em que o planejamento da compra começa muito antes da compra de fato. Segundo a Global Consumer Insights Survey da PwC, 79% dos consumidores brasileiros já pesquisam produtos antes de chegar à decisão final, número bem acima da média mundial, de 56%. Isso mostra que a jornada de consumo não é mais sobre comprar apenas. É sobre buscar, testar, comparar e validar percepções.
Hoje, o usuário não avança, ele orbita. Circula por estímulos, salta entre plataformas, muda de direção sem aviso. Um Reels de sete segundos pode substituir uma busca inteira; um comentário aleatório redefine uma intenção; um clique aparentemente irrelevante pode abrir uma rota completamente nova.
Observamos isso todos os dias por meio de microcomportamentos que se tornaram macrovetores de decisão. O tempo que alguém passa olhando um card, o impulso de compartilhar um print, o gesto quase automático de favoritar um conteúdo entre dois semáforos. Nada disso é “pequeno”, são sinais. São entradas, saídas e bifurcações dentro do labirinto.
E o mais importante: não é mais a marca que determina o percurso, é o consumidor. Ele entra e sai do processo como quer, influenciado pelo humor, pelo contexto, pelo algoritmo, por conversas que ele nem lembra onde começaram.
Por isso, desenhar jornadas rígidas é insistir em mapas que já não orientam. A performance moderna precisa ser construída para operar não apenas nos desvios, nas curvas, nas pausas, mas também nos atalhos que surgem espontaneamente. Relevância hoje é estar preparado para ser encontrado quando o consumidor muda de rota e não quando ele segue a rota idealizada pela marca.
A mídia mudou. A atenção mudou. E a estratégia também precisa mudar. Escuta virou ferramenta e a humildade virou vantagem competitiva. Porque, no fim, a nova performance não controla o labirinto, ela navega dentro dele. Com dados como bússola, contexto como mapa, comportamento como guia e flexibilidade como única garantia de permanência.