Opinião

Precisamos falar sobre o futebol feminino

A equidade não dá privilégios a ninguém, mas garante as condições justas, busca reparar diferenças históricas e sociais

Gaetano Lops

Presidente na agência GAEL 6 de março de 2026 - 11h27

No país onde o futebol é a paixão que une toda a população em anos de Copa do Mundo, 2026 já começou com a agenda marcada pelos jogos do campeonato. Da abertura à final, já esperamos o e-mail do RH confirmando os dias em que o expediente será de meio período, assim como o comunicado das escolas sobre o cancelamento das aulas. Nossa humilde expectativa já vislumbra a camisa oficial com a sexta estrela.

Mas, se nós realmente somos o país do futebol e o esporte é a paixão nacional, precisamos falar – e muito – sobre as mulheres em campo.

O Brasil vai sediar, em 2027, a maior Copa do Mundo de Futebol Feminino da história. O que você está planejando para estar dentro desse marco?

Nesse Brasil apaixonado pela bola, muitos não sabem que o futebol feminino foi proibido até 1979. Um decreto-lei de Getúlio Vargas de 1941 simplesmente vetou às mulheres a prática do esporte “inadequado à sua natureza”. A proibição caiu em 1979, mas a regulamentação oficial só chegou em 1983.

Esse é o momento em que começamos a explicar a diferença entre igualdade e equidade. A equidade não dá privilégios a ninguém, mas garante as condições justas, busca reparar diferenças históricas e sociais. Nesse cenário, para o desenvolvimento, crescimento, aprimoramento do esporte e das atletas. Para o incentivo à base de fãs e torcidas, para a profissionalização dos times e surgimento de novas equipes.

Nós, que comemoramos tanto Marta, Formiga, Pretinha entre outras, precisamos ir muito além de torcer. Precisamos incentivar, patrocinar, criar oportunidades, desenvolver as bases. Precisamos fazer tudo isso no ano da Copa e em todos os anos futuros.

O Governo e a CBF já deram grandes passos nessa direção. Espera-se que os clubes também passem a cuidar de seus dois times com a mesma valorização e relevância de ambos. Que os jogos femininos ocupem os grandes estádios em horários nobres – capazes de lotar de torcedores suas cadeiras e arquibancadas.

Se queremos visibilidade e profissionalismo para o futebol feminino brasileiro, como hoje vemos em países como Estados Unidos, Espanha, França e Inglaterra, precisamos exigir e criar as condições necessárias.

Marcas não podem ver o patrocínio aos times e campeonatos femininos como uma ação social ou complemento. Valores, cobranças e acompanhamentos devem estar diretamente ligados com protagonismo. Os resultados serão consequência.