Reflexões sobre cinema, RIW, IA e Ailton Krenak

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Opinião

Reflexões sobre cinema, RIW, IA e Ailton Krenak

Quem, de verdade, está no controle nesta sociedade de inteligência artificial em ascensão?


25 de outubro de 2023 - 6h00

Há dois anos assisti com minha filha ao divertido filme Free Guy – Assumindo o Controle. O que era para ser apenas uma comédia sem compromisso foi ficando muito melhor com o tempo, como um bom filme. A diferença é que, nesse caso, não foi por um processo de maturação interna natural sobre as questões abordadas, mas sim por estímulos externos, modernismos, que foram surgindo e ganhando as conversas do dia a dia.

Explico. No filme, o excelente Ryan Reynolds é um personagem não jogável – NPC, sacou? – de um game que tem uma camada de inteligência artificial (IA) – olha ela aí, tô perto do bingo das “buzzwords”? – que permite aos personagens irem aprendendo e se aprimorando com o tempo.

Isso faz com que um boneco coadjuvante comece a entender toda a barbárie que acontece naquele mundo virtual, análogo ao GTA, e vá, por conta própria, buscar as mudanças que julga serem justas. Essa jornada do herói acaba culminando em uma luta pela própria existência daquele lugar.

Vim até aqui sem spoiler e assim continuarei. Mas a verdade é que esse filme estava lá escondido na minha memória, como um momento legal entre pai e filha e ponto. Mas, saindo da Rio Innovation Week, recentemente, ele pulou e se esfregou na minha cara. Tinha lido sobre o fenômeno, passageiro, das Lives de NPC e venho lendo continuamente sobre os impactos possíveis do uso da inteligência artificial.

Foi curioso perceber que se hoje nós, que estamos aqui no mundo real, nos colocamos como NPCs para ganhar um troco ou até uns likes, no filme, o personagem do Ryan Reynolds ganhava protagonismo ao poder se sentir mais… humano. E isso não tinha a ver com ter o controle, mas sim com conseguir transformar o seu próprio futuro, deixando-o mais justo.

O mesmo a gente pode pensar sobre o propósito da inteligência artificial. Sim, ela chegou para ficar. E se no filme ela entra para dar mais humanidade ao personagem porque vamos aceitar menos que isso? Que ela venha para tirar de nós tudo aquilo que nos faz menos, menos humanos e menos precarizados – mais robóticos. E que ela possa acrescer a todos nós aquilo que nos faz sermos mais, mais espertos e sustentáveis – menos indiferentes.

Porque mais humanidade e menos precarização pode ser a missão da nossa inteligência artificial, que, como bem disse o mestre Ailton Krenak na RIW, é burra naturalmente.

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