Você teria coragem de entrar em um reality show?

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Opinião

Você teria coragem de entrar em um reality show?

Cada ponto de contato da marca com o consumidor tem o poder de construir ou destruir a marca


27 de fevereiro de 2023 - 13h00

Crédito: Paulo Belote/Globo

Em tempos de BBB essa pergunta sempre paira no ar. Você teria coragem de passar pelo escrutínio de milhões de olhares, o dia todo, medindo cada um dos seus posicionamentos, suas atitudes e pensamentos? Anitta já disse que o público a cancela todos os dias pela internet – imagina em um reality! Concordo com ela. Ser vigiado 24 horas por dia faz com que cada ação, cada palavra e cada ponto de contato sejam muito mais sérios.

Muitas pessoas já me perguntaram – por que patrocinar o BBB? A resposta padrão tem a ver com um alcance sem igual nos lares brasileiros, já que mais de 155 milhões de pessoas acompanharam o programa em 2022. Além disso, a conversa que o programa gera representa 88% de todo conteúdo de entretenimento. Pensando com a cabeça de compra de um patrocínio de mídia, faz sentido.

Mas, e se encararmos nossas marcas não como patrocinadores, e sim participantes? Se uma marca decide entrar de cabeça em um reality show, podemos fazer uma pergunta bem diferente, que vai além do patrocínio de mídia: por que participar do BBB? E isso demanda uma resposta bem mais profunda.

Qualquer participante entra na casa ciente de uma coisa: será exposto como nunca – para o bem e para o mal. Aí entram muitas questões importantes: essa marca está preparada para entrar na casa, se expor e agir diante das situações mais complexas? Será que ela conhece tão bem sua personalidade e seu posicionamento a ponto de explorar ações orgânicas, que exigem respostas imediatas? A marca consegue entrar em conversas com uma audiência sempre fervorosa? E provocar discussões, na maioria das vezes polêmicas, que contribuam para uma sociedade melhor? Tem a coragem necessária para se desconstruir e se reconstruir junto com o público, seguindo o fluxo dos acontecimentos do reality? Está pronta para tomar as rédeas da sua narrativa mesmo quando não existe controle sobre o ambiente em que está inserida?

Uma colega minha sempre fala que cada ponto de contato da marca com o consumidor tem o poder de construir ou destruir a marca. No ponto de venda, no e-commerce, nas redes sociais. Imagina em um reality show.

Ao entrar no BBB, a marca participante precisa estar pronta para viver situações que se apresentam 24 horas por dia, ao longo de 100 dias, sendo espiada, avaliada e julgada o tempo todo. É um verdadeiro teste de marketing de propósito. Ou sabe seu propósito ou não sabe (e vira planta). Ou vive esse propósito, com coragem e autenticidade, ou se queima. Ciente de que jamais terá 100% – nem de rejeição, nem de aceitação – e estar bem com isso.

Para vivenciar essa aventura, minha dica número um é autoconhecimento – afinal, assim como cada pessoa lá dentro, se você conhece sua marca bem o suficiente – tanto as fortalezas para explorar e as fraquezas para cuidar – conseguirá conduzir uma boa conversa independentemente da situação que aparecer.

Além disso, por se tratar de um jogo de relações humanas, é preciso que a marca também passe por seu processo de humanização. No BBB, publicidade tradicional e “fria” é um desperdício. Temos que fazer nossas marcas se aproximarem das pessoas (em suas mentes e corações), acolhê-las em diversas situações, contarem e compartilharem histórias reais, tomarem partido sobre o que acreditam. É marketing de propósito na veia, vivido todos os dias.

É preciso, também, encontrar o equilíbrio perfeito (e essa é uma linha tênue) entre ser firme e verdadeiro com a essência da marca, representando seus valores e princípios e, ao mesmo tempo, ter a mente aberta para aprender e se moldar com as novas experiências que se apresentam. Como muitos participantes justificam a razão de sua entrada no BBB, uma marca também pode – e deve – viver essa experiência para se tornar uma versão melhorada de si mesma, saindo dela ainda mais forte.

A escolha de uma marca entrar no BBB não é, portanto, diferente da escolha das pessoas que se inscrevem para participar do reality. É necessário ter uma de mente aberta e corajosa. Talvez a resposta possa ser encontrada na própria música de abertura do programa: “Se você soubesse quem você é, até onde vai a sua fé. O que você faria? Pagaria para ver!”

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