A relevância cultural como ativo
A profundidade das relações humanas é o ativo intangível que garante a perenidade dos negócios no pós-IA
O quarto dia de SXSW 2026 em Austin trouxe a transição da busca por atenção para a construção de pertencimento. Se nos dias anteriores discutimos a IA como motor de eficiência, agora a pauta evoluiu para como essa mesma inteligência precisa ser humanocêntrica, unindo o IQ técnico ao EQ (Inteligência Emocional) que sustenta a confiança.
A fala de Rana el Kaliouby ressoou como um lembrete para a governança: 93% da comunicação humana é não verbal. Enquanto os algoritmos avançam no processamento de dados (IQ), a liderança deve focar no desenvolvimento de sistemas e culturas que reconheçam a empatia e a intuição, como também usar a tecnologia para potencializar a nossa sabedoria e o nosso pensamento crítico, e não para substituí-los.
As grandes marcas globais, como PepsiCo, Unilever e Bank of America, deixaram claro que o pertencimento cultural não é nada que se compra, mas algo que se conquista por meio da participação genuína.
A estratégia de crescimento mudou de escala. Em vez de disputar market share em categorias estreitas, as empresas estão redesenhando seus limites para ecossistemas humanos mais amplos. E para isso acontecer, a liderança precisa necessariamente ouvir antes de agir, abraçando inclusive o feedback negativo como uma ferramenta de autenticidade e construção de confiança.
Um dos conceitos mais potentes deste ciclo foi a “distância zero” entre o C-level e a comunidade. A relevância cultural permite que a organização ancore sua estratégia em crenças e valores sólidos (“slow culture”), enquanto mantém a agilidade para navegar nas tendências e conversas do agora (“fast culture”). A comunidade, nesse contexto, é uma disciplina operacional total que deve estar presente desde o P&D até a governança do conselho.
Como tenho reforçado em todos os artigos, em Austin, a tecnologia é a base, mas a nossa capacidade de gerar pertencimento é o que garante a perenidade.
O quanto a sua liderança está preparada para abandonar o controle e abraçar a co-criação como motor de relevância para o seu negócio? É uma pergunta que precisamos nos fazer urgentemente!