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Opinião

Até quando você será o mesmo?

Além do velho FOMO, agora surge mais um termo: o FOBO, "fear of becoming obsolete", o medo de ficar obsoleto


23 de outubro de 2023 - 8h24

(Crédito: Natalja_g/Shutterstock)

A todo momento, lemos e ouvimos que a Inteligência Artificial poderá substituir uma boa parte das profissões e trabalhos que conhecemos, e que nossos empregos deixarão de existir. Isso faz com que nossa ansiedade aumente, assim como a incerteza sobre como será o nosso futuro e sobre como deveremos nos preparar. Então, sejam bem-vindos à era do FOBO, mais um acrônimo de uma síndrome que tem a ansiedade como um dos principais sintomas. Além do velho FOMO, “fear of missing out”, medo de ficar por fora, de não estar a par de novas informações, eventos e notícias, agora ouvimos mais um termo: o FOBO, “fear of becoming obsolete”, medo de se tornar obsoleto.

Várias empresas e conselhos de companhias têm se deparado com a necessidade de atualização de seus processos, de integração de suas operações e de incorporação da IA (inteligência artificial) ao dia a dia, de maneira que se tornem competitivos no mercado. Mas será que todo o mercado vai incorporar a IA em suas operações, de forma simultânea ou com a mesma profundidade? É claro que dependerá do nível de digitalização de cada empresa, bem como do grau de abertura e maturidade de sua liderança para adotar novos métodos. E isso exigirá que as empresas invistam em novos treinamentos, ferramentas e novos modelos de pensamentos, para que seus colaboradores também se tornem competitivos.

Falávamos no passado de algumas profissões que não podiam se desatualizar, e, hoje, ninguém mais tem a chance de estar desatualizado, ou ao menos quem quer continuar se desenvolvendo na carreira. O que há meses atrás era uma tendência, hoje pode não fazer mais sentido, ou se tornar obsoleto. A automatização e a inteligência artificial são algumas das novas tecnologias que podem tornar muitas das nossas funções ultrapassadas. Mas, devemos levar em conta, também, aspectos como desenvolvimento de cada país e níveis hierárquicos nas empresas, uma vez que espera-se que a IA afete mais empregos com salários mais elevados.

O FOBO vem crescendo a passos largos nos últimos dois anos, e talvez a geração que mais se exija com relação a esta mudança sejam os millennials, nascidos entre 1982 e 1994, e os nativos digitais, que têm a tecnologia como parte do seu dia a dia, do seu comportamento. Vários estudos mostram que a geração Z, os nascidos a partir de 2000, têm medo de que a tecnologia torne seus empregos obsoletos.

Ter recebido uma boa educação ou formação faz parte de uma base sólida de aprendizagem e de processos cognitivos. No entanto, isso não garante que o conhecimento adquirido, que o trouxe até o ponto atual, o conduzirá de maneira competitiva e atualizada em direção aos seus objetivos futuros. Talvez você ainda não saiba exatamente para onde deseja ir no futuro, mas deve aspirar, no mínimo, manter-se onde está. Nem mesmo essa certeza podemos garantir.

Então surgem as mais novas exigências e a importância de nos adaptarmos às grandes e dinâmicas transformações digitais, e estarmos conscientes de que mais capacitações serão necessárias ao longo dos nossos desafios profissionais.

Além das competências ligadas à tecnologia e ao conhecimento de inovações tecnológicas, como IA e big data, não podemos nos esquecer das habilidades e competências ligadas aos fatores socioemocionais, à inteligência emocional. A resiliência, a capacidade de trazer soluções, de trabalhar em ambientes extremamente dinâmicos de forma criativa e colaborativa, a transparência, a ética e saber gerenciar conflitos são competências e atributos fundamentais para qualquer profissional, seja nos conselhos, em cargos de liderança ou no início da carreira.

Esta semana, no Congresso do IBGC (Instituto de Governança Corporativa), li uma frase que gostaria de compartilhar, pois me faz pensar sobre tudo o que escrevi: “O maior perigo em tempos de mudança não é a mudança em si, mas agir com a lógica do passado”.

Precisamos nos reinventar, nos reformar. Lifelong learning não é mais para alguns. É para todos. Quanto mais aprendo sobre educação, mais entendo a importância de pensarmos no futuro e vislumbrar novas possibilidades. É isso que se torna desafiante, é isso que nos mantém vivos: sempre estarmos abertos e prontos para aprender, e quem sabe desenvolver trabalhos que antes não existiam.

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