Por que a Apple deve comprar empresas de tecnologia (e quais)

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26 de abril de 2017 - 15h34

As ações da Apple recentemente bateram novos recordes, um indício para se olhar de forma séria para a empresa e seus próximos passos. A marca é conhecida por ser disruptiva, confiando em uma estratégia de “construir em vez de comprar”. Entretanto, quando a empresa lançou um iPad pouco elogiado no fim de março, muitos começaram a questionar seu status inovador.

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Foto: Reprodução

argumentei previamente que a Apple está perseguindo uma estratégia de cultivo, um movimento inteligente onde a empresa extrai o máximo lucro possível de um mercado estático ou em declínio. As vendas de iPad estão em declínio (bem como todos os tablets), e a Apple está tentando se beneficiar desse produto enquanto ainda é possível. O plano faz sentido, e os mercados parecem concordar, já que as ações da empresa atingiram um novo pico. Entretanto, iMac, iPad e iPhone (responsáveis por mais de 85% da receita) estão sob constante pressão, e o futuro parece mais difícil e não mais fácil.

Consumidores estão resistindo à pressão para atualizar seus aparelhos por pequenas melhorias. Concorrentes como Samsung, ZTE e Huawei estão aperfeiçoando a qualidade de seus produtos e, em muitos casos, oferecendo soluções superiores a um preço mais baixo. Ainda, o sistema iOS está perdendo a guerra global de plataformas para o Android.

Mesmo que ainda exista muito a ser feito nessa linha de negócio, o prognóstico a longo prazo não parece tão positivo. Para reassegurar seu lugar como uma empresa disruptiva no digital, a Apple vai precisar mudar de uma estratégia defensiva para uma abordagem ofensiva. O lado positivo é que a Apple tem reputação de marca, seguidores fiéis e cerca de US$ 200 bilhões em dinheiro na folha de balanço. Ou seja, os recursos para se recuperar. Ao mesmo tempo, concorrentes igualmente ricos tem investido em aquisições de alto perfil, enquanto a Apple apenas assiste nos bastidores. Sua maior aquisição até hoje foi a Beats, no valor de US$ 3 bilhões em 2014 — o que é uma pechincha se comparado ao que muitos competidores investem.

Com sua reputação em jogo, a Apple precisa expandir sua estratégia atual e abrir novos mercados onde possa competir. Cultivar o maior lucro possível de seu negócio de hardware faz sentido, mas a empresa precisa transferir esse valor para outras áreas, como games, produção de conteúdo e distribuição

A tentativa da Apple de ocupar novos campos de batalha não tem sido muito bem sucedida. O Apple Watch falhou ao “revolucionar seu pulso”, a estratégia da marca com carros parece ter estagnado e a Apple Music não preencheu as lacunas deixadas pelo Spotify. A companhia precisa ocupar novos espaços competitivos, seja ela disruptiva ou não, conforme já explicado no Digital Vortex.

Construir algo do zero leva tempo, e a Apple perdeu o timing em áreas de fora do seu core. A companhia tem dinheiro, e agora é a hora de investir e comprar, em vez de construir. Qual deveria ser a próxima aquisição da Apple? Primeiramente, qualquer compra deve se encaixar com a imagem da companhia: deve ter um um ótimo design, ser inovadora, simples, focada em tecnologia e ter uma reputação altamente qualificada e premium. Estes critérios já riscam da lista alguns alvos normalmente considerados, como a Disney (muito diversa) e a Sony (muito complexa).

Uma lista de aquisições possíveis e impossíveis para a Apple pode incluir as seguintes empresas:

Pandora (US$ 3 bilhões em capital)
A aquisição do Spotify provavelmente não acabaria com a fiscalização anti-trust, então se a Apple quer ganhar solidez adicional no mundo do streaming de música, poderia comprar a Pandora por um valor relativamente baixo, entre US$3 e US$ 5 bilhões. Ainda assim, isso não moverá o ponteiro tanto assim para a empresa, que deve continuar pensando grande.

Tesla (US$ 44 bilhões em capital)
A Apple e a Tesla tem trocado farpas e engenheiros durante anos, mas comprar a Tesla poderia ser um jeito rápido para a Apple entrar no mercado de carros de forma concreta. Entretanto, a Tesla é relativamente pequena, não-lucrativa e vulnerável a choques. Também é muito ligada ao seu CEO, Elon Musk, o que poderia representar uma briga de egos com o CEO da Apple (Tim Cook).

Pay Pal (US$ 52 bilhões em capital)
O Apple Pay foi lançado com pompa e circunstância em outubro de 2014 e não decolou tão rapidamente quanto muitos esperavam. A empresa aprendeu do jeito difícil que a indústria de serviços financeiros é complexa, bem protegida e geralmente difícil de penetrar. A compra do PayPal (supondo que fosse aprovada por reguladores anti-trust) daria à Apple mais fôlego para convencer consumidores a adotar o serviço e varejistas a aceitar o serviço de pagamento. Contudo, serviços financeiros estão muito distantes do core da Apple, o que poderia gerar uma distração.

Activision Blizzard (US$ 37 bilhões)
A Apple poderia entrar no mercado de games, que agora se tornou maior do que a indústria de filmes e música combinadas. Se por um lado a Activision Blizzard não atua no mercado de console de games, é muito forte nos jogos para PC, online e mobile (tendo comprado a empresa que é dona do Candy Crush). Se a Apple quer entrar em uma indústria adjacente, essa pode ser uma opção interessante.

Netflix (US$ 61 bilhões)
A Apple tem dançado em torno do vídeo há alguns anos, mas nunca quebrou as barreiras principais de criação e distribuição de conteúdo. A empresa teve muito sucesso em capturar o valor de dispositivos como o iPod, o iPhone e o iPad às custas de geradores de conteúdo e outros players do ecossistema. Contudo, muitos indícios apontam que esse equilíbrio está saindo do controle dos fabricantes de dispositivos. Empresas como Amazon e Netflix compreenderam esta tendência e têm se esforçado para estar à frente disso.

A Netflix tem sido extremamente bem sucedida — primeiramente em distribuição, e agora na produção de conteúdo. A Apple, em contraste, tem sido vagarosa na reação, e terá dificuldades em preencher esta lacuna, especialmente quando criadores de conteúdo estão se dando conta do valor que criam, e à medida em que novos players como Amazon fazem barulho. A Netflix é uma opção bastante cara, mas traria à Apple um valor inestimável em plataformas.

Com sua reputação em jogo, a Apple precisa expandir sua estratégia atual e abrir novos mercados onde possa competir. Cultivar o maior lucro possível de seu negócio de hardware faz sentido, mas a empresa precisa transferir esse valor para outras áreas, como games, produção de conteúdo e distribuição.

Tradicionalmente, a Apple cria seus próprios produtos para entrar em novos mercado. Contudo, suas últimas tentativas de fazer isso faliram e o tempo não está do lado da companhia. Sendo assim, a Apple deveria usar sua riqueza para fazer aquisições estratégicas e ocupar mercados adjacentes — com potenciais alvos muito atrativos como Activision Blizzard ou Netflix.

Tradução: Karina Balan Julio

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